Menor município do Brasil fica imune a apagões elétricos

Gazeta Rondônia
25/01/2026 16h53 - Atualizado há 1 mês

Serra da Saudade (MG) - O menor município do Brasil passou a integrar o mapa da inovação no setor elétrico. Com pouco mais de 800 habitantes, a cidade, no Centro-Oeste de Minas Gerais, iniciou a operação de uma microrrede de energia elétrica capaz de garantir até 48 horas de autonomia no fornecimento em caso de falhas na rede principal. A solução, implantada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), busca reduzir o risco de apagões e ampliar a resiliência do sistema diante do avanço de eventos climáticos extremos.

O projeto combina geração solar, armazenamento em baterias, automação da rede e medição inteligente, em um investimento de R$ 7 milhões. A microrrede de dupla alimentação permite que o município opere de forma independente da rede convencional em situações de contingência, como interrupções provocadas por tempestades, ventos fortes ou falhas estruturais, mantendo o atendimento integral à população.

No centro do sistema está um banco de baterias com capacidade de 2,0 MWh, abastecido por um gerador fotovoltaico dedicado à recarga. Diferentemente de usinas solares tradicionais, a energia gerada não é injetada diretamente na rede de distribuição, mas utilizada para carregar as baterias, garantindo estabilidade e controle do fornecimento. Em caso de interrupção da rede principal, a estrutura entra em operação automática e é capaz de suprir a demanda da cidade por até dois dias.

Segundo Marney Antunes, vice-presidente de distribuição da companhia, o projeto surgiu da necessidade de encontrar alternativas ante a escassez de mão de obra e aos entraves com fornecedores. "Tínhamos dificuldades com empreiteiros para fazer as redes convencionais, faltava mão de obra. Então, precisávamos achar uma outra solução", afirmou.

A partir dessa constatação, a empresa passou a buscar referências internacionais e tecnologias emergentes. "Começamos a pesquisar o que o mundo estava desenvolvendo. Fomos ao Canadá, fomos à China, conhecer tudo o que existia de baterias", relatou Antunes. A conclusão, segundo ele, foi clara, com a redução dos custos, o sistema que combina baterias e energia solar poderia competir com a rede convencional. "Chamei a engenharia e disse: vocês precisam desenvolver uma rede usando baterias e energia solar de forma mais barata e em menos tempo", contou.

Além de assegurar a continuidade do fornecimento, o sistema contribui para a melhoria da qualidade da energia entregue, reduzindo oscilações de tensão e distúrbios elétricos, fatores que costumam afetar equipamentos e serviços em municípios atendidos por redes longas ou com menor redundância.

Particularidades

A escolha de Serra da Saudade foi resultado de uma análise técnica e econômica conduzida pela Cemig. Segundo a companhia, foram avaliadas alternativas tradicionais para garantir a dupla alimentação elétrica, como reforços na rede existente e a construção de novos alimentadores.

Nessas condições, os custos poderiam ultrapassar R$ 30 milhões, além de exigir prazos mais longos de implantação. A microrrede, por outro lado, apresentou melhor desempenho técnico, menor custo e maior capacidade de resposta em situações críticas.

Ele acrescentou que o DEC percebido pelos consumidores também apresentou queda, apesar do aumento das descargas atmosféricas. "Praticamente dobrou o número de raios desde 2020, e, ainda assim, reduzimos o tempo médio sem energia de cerca de 18 horas para algo em torno de 13 horas por ano", afirmou.

O presidente também ressaltou o impacto da digitalização no atendimento ao consumidor. "Com os canais digitais, todo mundo é atendido ao mesmo tempo. Se fosse só call center humano, não daria conta. A escala aumenta muito."

Ampliação

Com base na experiência em Serra da Saudade, a Cemig avalia a replicação do modelo de microrrede em pelo menos dez outros municípios mineiros que apresentam características semelhantes, como topografia complexa, maior vulnerabilidade no fornecimento de energia ou inviabilidade econômica para a execução de obras convencionais de reforço da rede. A iniciativa prevê o uso do projeto-piloto como referência para analisar a viabilidade técnica e econômica da expansão do modelo.

No menor município do Brasil, a implantação da microrrede representa uma resposta a um dos principais desafios do setor elétrico: garantir segurança energética e continuidade do serviço, em um contexto marcado pelas mudanças climáticas e pela crescente pressão sobre a infraestrutura existente.

Segundo o vice-presidente de distribuição da Cemig, Marney Antunes, a combinação de baterias e energia solar tende a se consolidar como uma solução estratégica para aumentar a confiabilidade do sistema elétrico. "O futuro da distribuição passa por isso. As baterias estão ficando mais baratas, assim como aconteceu com as placas solares, e nós estamos sendo pioneiros ao trazer essa tecnologia para atender nosso principal objetivo, levar mais energia, com mais qualidade, para os municípios", concluiu.

Fonte: Correio Braziliense.


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