A investigação sobre a denúncia de estupro envolvendo jogadores do Vasco-AC segue em andamento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco.
O caso resultou na prisão de Erick Luiz Serpa em flagrante no sábado (14) e na decretação de prisão temporária de Alex Pires Júnior (Lekinho), Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario na terça (17).
Segundo a Polícia Civil, duas mulheres relataram terem sido vítimas de estupro dentro do alojamento do clube, na madrugada da última sexta-feira (13). Os jogadores negam as acusações e afirmam que houve relação consensual.
1. O que aconteceu?
Duas mulheres denunciaram terem sido estupradas pelos jogadores na madrugada da última sexta (13). O caso foi registrado no sábado (14) na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). As vítimas foram encaminhadas para atendimento médico na Maternidade Bárbara Heliodora antes de prestarem depoimento formal.
Segundo a Polícia Civil, as mulheres relataram que foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas que, em determinado momento, teriam sido submetidas a atos sem consentimento.
Além disso, o crime de estupro é de ação penal pública incondicionada, ou seja, a investigação não depende de representação formal das vítimas.
2. Quem são os jogadores e como ocorreram as prisões?
São investigados Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, conhecido como Lekinho.
O atacante Erick Serpa foi preso em flagrante no sábado (14) e teve a prisão convertida em preventiva no domingo (15), após audiência de custódia.
Já Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no domingo (15). Eles se apresentaram à Polícia Civil na terça-feira (17).
Na quarta-feira (18), a Justiça manteve a prisão temporária dos três atletas durante audiência de custódia. Eles devem permanecer detidos por até 40 dias. Segundo a defesa, os jogadores devem ser encaminhados ao Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco.
3. O que dizem as defesas?
As defesas dos jogadores afirmam que as relações foram consensuais e classificam as denúncias como frágeis.
O advogado Atevaldo Santana, responsável pela defesa de Matheus Silva e Brian Peixoto, informou que vai ingressar com pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão temporária. Segundo ele as vítimas foram ao local para fazer programa e negou que os clientes tenham abusado delas.
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"São narrativas ficcionais criadas por essas pessoas que se dizem vítimas. Foram lá fazer programa. Uma delas postou no outro dia que, infelizmente, estava arrependida por não ter ido para o Carnaval do Tucumã. Ora, uma mulher que é estuprada no mínimo fica com problemas psicológicos, não fica no outro dia dizendo que vai pro Carnaval", argumentou.
Já o advogado Robson Aguiar, da defesa de Alex Pires Júnior, também afirmou que pretende apresentar novas provas e buscar a revogação da prisão. Ao se apresentar à polícia, Alex Pires declarou à imprensa que é inocente e que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
4. Qual o posicionamento do clube?
Em nota emitida, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno conforme o andamento das investigações.
O treinador Eric Rodrigues declarou que confia na Justiça e que, caso os jogadores sejam culpados, devem responder pelos atos. Ele também afirmou que é proibida a entrada de mulheres no alojamento do clube.
5. Qual foi a repercussão das falas do treinador?
Após declarações do treinador em entrevistas exibidas em programas de TV locais, a Secretaria de Estado da Mulher, divulgou nota pública na terça-feira (17) e manifestou repúdio às falas. No texto foi destacado que o consentimento pode ser retirado a qualquer momento e que sexo sem consentimento configura estupro.
A secretária Márdhia El-Shawwa afirmou também que colocar em dúvida o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher desqualifica a atuação técnica e legal da polícia e reforça a culpabilização das vítimas.
O treinador Eric Rodigues disse, em entrevista, que esta não foi a primeira vez que os jogadores levaram mulheres para o alojamento -- comportamento este proibido pelo time.
"Você tá falando de homem, longe de casa, longe de família, longe de tudo. Essas mulheres invadem o alojamento [...] não foi uma nem duas não, tá?! Um monte, porque elas são Maria Chuteira [...] elas ficam alucinadas por causa dos moleques", complementou o treinador.
6. Familiares vieram para o Acre
O treinador Eric Rodrigues afirmou também que os familiares dos atletas que vieram do Rio de Janeiro para jogar no Acre estão preocupados com a repercussão do caso e buscam informações constantemente.
Segundo ele, há mais de 20 jogadores alojados no local e que nos últimos dias tem vivido um pesadelo, pois os familiares dos jogadores que vieram para o Acre estão muito preocupados e buscam informações a todo instante.
O treinador declarou ainda que os atletas vieram para a capital confiando no trabalho da comissão técnica e que o momento tem sido difícil para todos. Eric afirmou que acredita na inocência dos jogadores, mas reforçou que, caso sejam considerados culpados pela Justiça, devem responder pelos atos.
Fonte: G1 AC.