Mesmo condenado por estupro e morte de estudante, Policial Militar recebeu remuneração e promoções

O PM já recebeu mais de R$ 500 mil, férias, 13º salário e subiu duas patentes militares

Por Gazeta Rondônia-
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Um policial militar preso desde 2019 por estuprar e matar uma estudante de 22 anos continuou recebendo todos os seus salários e ainda foi promovido duas vezes enquanto esteve detido.

Pedro Inácio Araújo de Maria, de 43 anos, foi condenado em dezembro de 2025 a 20 anos de prisão pela morte de Zaira Cruz. Ela foi encontrada morta em 2 de março de 2019, no Carnaval, na cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte.

Entre a data do crime e o último salário pago em fevereiro deste ano, ele recebeu mais de R$ 500 mil entre vencimentos, férias e 13º salário.

Ascensão de patente atrás das grades

Quando foi preso em março de 2019, Pedro era cabo e tinha salário base de R$ 4.085,60. Mesmo atrás das grades, ele foi promovido a terceiro sargento em novembro de 2020 e, mais recentemente, a segundo sargento em outubro de 2024.

No mês passado, seu salário bruto já ultrapassava R$ 10 mil. A Polícia Militar do RN justificou que as promoções são “um ato administrativo vinculado”.

A corporação afirma que não tem escolha: se o militar cumpre os requisitos legais, a promoção deve ser efetivada, sob pena de crime de responsabilidade.

Detalhes do crime e revolta popular

O caso ganhou enorme visibilidade e causou revolta nas redes sociais. A jovem Zaira Cruz foi encontrada morta com marcas de asfixia, e o júri reconheceu duas qualificadoras para o crime: emprego de meio cruel e crime praticado para garantir a impunidade do estupro.

A defesa do policial alega inocência e recorre da condenação. O advogado afirmou ao UOL que “a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos”.

Pedro estaria debilitado com uma doença rara e não quer se manifestar sobre os salários e promoções.

Procedimentos administrativos e liberdade

A Polícia Militar informou que abriu um procedimento interno na época da prisão e puniu o militar com 30 dias de prisão disciplinar. A corporação afirma que aguarda o trânsito em julgado da sentença para adotar as medidas administrativas cabíveis, como a exclusão do policial.

Na última segunda-feira, Pedro foi colocado em liberdade para cumprir pena em casa no regime semiaberto, enquanto aguarda os recursos. A família da vítima aguarda justiça há mais de seis anos.

O acusado agora está solto, com rendimentos acumulados e a patente mais alta do que quando foi preso.

Fonte: Tribuna do Nordeste.