18/07/2021 às 12h45min - Atualizada em 18/07/2021 às 12h45min

Os marcos da inclusão feminina nos Jogos Olímpicos ao longo dos anos

Gazeta Rondônia
 

No começo deste ano, o Comitê Internacional Olímpico (COI) celebrou a notícia de que as Olimpíadas de Tóquio 2021 seria a primeira a atingir a meta de equidade de gênero entre os atletas. A estimativa é de que 49% dos participantes sejam mulheres.

Um curioso paralelo foi feito no comunicado do COI, comparando a luta por uma representação mais justa nos jogos a uma longa corrida: “Tem sido mais uma maratona do que uma corrida, mas as atletas estão finalmente alcançando seus colegas masculinos no jogo dos números.”

A maratona a qual se referem é um demorado percurso de 125 anos desde que o primeiro jogo da era moderna aconteceu na Grécia. O evento, naquela ocasião, contava com 280 participantes. Entre eles, nenhuma mulher. Quando questionado sobre a ausência delas nas categorias, o idealizador dos primeiros jogos, ocorridos em 1896, barão Pierre de Coubertin, foi enfático: “Uma olimpíada com mulheres seria impraticável, desinteressante, inestética e imprópria.” 

Ainda assim, 4 anos mais tarde Coubertin fez um leve recuo e autorizou que 22 mulheres participassem dos jogos em Paris, em 1900. Um número irrisório dentro de um total de 997 atletas, 2,2% deles. E tem mais: das 19 práticas, apenas 5 eram permitidas a elas. Tênis, vela, croquet, hipismo e golfe. Atividades exclusivas da aristocracia e que, de acordo com a visão da época, não demandariam muito esforço físico, tampouco “comprometeriam” a feminilidade. Vocês também estão se perguntando como um esporte olímpico poderia comprometer a feminilidade de uma pessoa?

Segundo a professora doutora Helena Altmann, da Faculdade de Educação Física da Unicamp, que pesquisa a intersecção dos esportes e os estudos de gênero, a origem da percepção de que certas práticas deveriam ser restringidas às mulheres se fundamentava na ideia de que o corpo da mulher seria mais frágil do que o do homem. E que, portanto, estaria em “ameaça se ela praticasse algumas modalidades esportivas que não eram consideradas harmoniosas e delicadas”. 

Competidoras de Patinação Artística Femininanos Jogos Olímpicos de Inverno na Suíça, em 1928 (Foto: FPG/Getty Images)

Competidoras de Patinação Artística Femininanos Jogos Olímpicos de Inverno na Suíça, em 1928 (Foto: FPG/Getty Images)

Competidoras de Patinação Artística Femininanos Jogos Olímpicos de Inverno na Suíça, em 1928 (Foto: FPG/Getty Images)

Para demonstrar o quanto esse argumento é ultrapassado, Helena cita outro exemplo de como um suposto discurso científico referendou desigualdades. “Durante muito tempo acreditou-se que mulheres eram menos inteligentes do que os homens porque o cérebro delas tinha um tamanho menor. Hipótese que hoje nos parece inacreditável”.

Por fim, ela destaca que as práticas esportivas têm um papel importante na mudança de como o corpo da mulher pode ser olhado nesse campo. De modo que o impedimento de certas modalidades estava associado à objetificação do corpo da mulher pelo olhar masculino.

“Os esportes são um campo de deslocamento interessante em relação ao olhar sobre o corpo da mulher que deve ser apreciado a partir da sua eficiência, do seu corpo de atleta, e não do seu corpo esteticamente bonito que se apresenta para o olhar do outro, que no geral é um lugar masculino”, conclui. Fonte G1


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