Bruxo Paulo Padilha fundador da Igreja de Lúcifer é executado com tiros na cabeça
Satanista foi morto após furar um pneu. Polícia já prendeu um suspeito do duplo homicídio em oficina
O fundador da primeira Igreja de Lúcifer do Ceará, Luciano Victor Melo de Sousa, de 38 anos, foi executado a tiros na manhã desta quinta-feira em Fortaleza. Conhecido nas redes sociais como "Bruxo Paulo Padilha", ele e um amigo de 21 anos foram alvejados por um motociclista após pararem em uma oficina para trocar um pneu furado.
O ataque aconteceu no cruzamento da Avenida 13 de Maio com a Rua Barão do Rio Branco, no bairro de Fátima. Segundo relatos, Luciano e o amigo aguardavam a troca do pneu quando um homem em uma motocicleta se aproximou e disparou contra os ocupantes do veículo.
Luciano foi atingido na cabeça e no abdômen, morrendo ainda no local. O amigo, baleado na cabeça, foi socorrido pelo Samu em estado grave, mas não resistiu e morreu posteriormente no hospital. Informações preliminares indicam que a vítima usava tornozeleira eletrônica à época do crime.
Horas depois do crime, a Polícia Civil do Ceará prendeu um homem de 25 anos no bairro Farias Brito, suspeito de participar dos dois homicídios. Durante a operação, foram apreendidos uma pistola, um revólver, munições, a motocicleta utilizada no ataque e roupas que teriam sido usadas pelo suspeito.
O indivíduo foi levado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e autuado em flagrante por homicídio e posse ilegal de arma de fogo. A identidade dele não foi divulgada e a imagem da prisão teve o rosto desfocado. A polícia informou que "segue realizando diligências e oitivas para identificar e capturar outros envolvidos, bem como esclarecer a motivação do crime".
Luciano era uma figura de destaque em nichos específicos da capital cearense. Ele fundou a primeira Igreja de Lúcifer do Ceará, cujo templo funciona desde setembro de 2023 na Rua Instituto do Ceará, no bairro Benfica.
"Ele era ainda um 'tata', termo de origem congo-angolesa usado para designar um mestre ou dirigente ritualista na prática da quimbanda."
Fora da atuação religiosa, ele era proprietário de pelo menos dois bares no bairro Benfica, tendo frequentado um dos estabelecimentos na madrugada anterior ao assassinato.
O histórico de Luciano com a lei era conhecido. Em março de 2025, ele havia sido preso em flagrante em um de seus bares. Na ocasião, foi acusado de ameaça, desacato, corrupção ativa e injúria homofóbica, em um caso envolvendo duas mulheres e policiais que atenderam a uma ocorrência.
De acordo com documentos da audiência de custódia, policiais foram chamados para apoiar um socorrista do Samu que estaria sendo ameaçado. Ao chegarem e pedirem à redução do volume do som, o suspeito teria se exaltado, xingado as vítimas e os agentes, e oferecido dinheiro para não ser preso. Ele foi liberado mediante fiança e ficou sujeito a medidas protetivas, incluindo a proibição de se aproximar das vítimas.
A prisão do suspeito de 25 anos representa apenas o primeiro elo de uma investigação que ainda carece de um móvel claro. O fato de a vítima usar tornozeleira eletrônica e ter um histórico de conflitos com a lei e com figuras de autoridade adiciona camadas de complexidade ao caso.
Foi o assassinato um acerto de contas relacionado aos seus negócios na noite do Benfica, uma retaliação ligada à sua controversa liderança religiosa ou um desdobramento de seus antecedentes criminais recentes? A resposta dependerá da capacidade da Polícia Civil em conectar o testemunho do preso às evidências balísticas e digitais. Enquanto a motivação não for esclarecida, o caso permanece como um sintoma cru da violência urbana, onde até as figuras públicas mais polarizadoras estão sujeitas à lógica implacável do gatilho.
Fonte: Painel Político.