09/08/2021 às 17h50min - Atualizada em 09/08/2021 às 17h50min

Ameaçados de extinção, botos são alimentados por moradores de comunidade

Gazeta Rondônia

Uma família de botos 'Inia Aragualiaensis' costuma tomar banho com moradores e, nesse domingo (8), foi filmada sendo alimentada por eles no Lago dos Veados, em Luciara (MT), a 1.180 km de Cuiabá. A espécie, descoberta em 2014, está ameaçada de extinção, mas, na região, esses animais e o ser humano vivem em harmonia e, segundo especialistas, essa cena tem sido comum.

O estudante Walter Junior Moreira contou que estava acampando e pescando com a família às margens do lago quando os botos começaram a se aproximar. Parte do pescado foi compartilhado com os animais.

Moradores de Luciara (MT) convivem em harmonia com botos no Lago dos Veados — Foto: Marcos Feitoza/Luciara MT

Moradores de Luciara (MT) convivem em harmonia com botos no Lago dos Veados — Foto: Marcos Feitoza/Luciara MT

“Todo ano eles aparecem. Aqui na região nós preservamos e é lindo de se ver. Conseguimos filmar o pai e a mãe, mas também tem o filhote que sempre se aproxima”, contou.

O Lago dos Veados fica a cerca de 35 km da cidade e costuma ser frequentado por famílias do próprio município. Para entrar no local é necessário apenas a autorização dos proprietários que vivem nos arredores.

“É uma aventura para quem gosta da espécie. Sempre vou visitar [o lago] com a família e é lindo essa proximidade, apaixonei”, declarou.
 

Para o biólogo Henrique Abrahão Charles, essa interação pode ser um exemplo de preservação.

“São imagens muito interessantes e podemos tirar lições. O homem e a natureza podem coabitar no mesmo local, desde que o ser humano respeite o espaço. Não queremos que isso vire uma exploração, ao ponto de tumultuarem, sem nenhuma organização, mas é possível conviver em harmonia, preservando os animais e a comunidade”, pontuou.

Segundo Henrique, os botos estão ameaçados devido à poluição dos rios e à caça predatória.

“Matam esses animais para fazer artefatos, que alegam ter poder de atração e, por isso, a espécie corre riscos. A população local que vive há anos com esses animais e conseguem respeitar um ao outro merecem ser ouvidos e incentivados para a preservação”, disse.

O biólogo afirmou que, além dos botos, outras espécies podem conviver com o ser humano.

“Se o homem não destruísse tanto, muitas outras espécies de animais fariam contato com o ser humano e conseguiríamos viver em harmonia. Os golfinhos marinhos, por exemplo, também convivem bem com humanos, inclusive, um ajuda o outro. Eles atraem os peixes para a pesca e os pescadores os alimentam”, explicou.

Henrique disse ainda que a convivência entre humanos e animais deve ser organizada para evitar uma ocupação desenfreada dessas áreas preservadas.

Botos 'Inia Aragualiaensis' possuem um comportamento discreto — Foto: Instituto Araguaia/ Divulgação

Botos 'Inia Aragualiaensis' possuem um comportamento discreto — Foto: Instituto Araguaia/ Divulgação

“As interações podem ser regradas. Organizações Não Governamentais (ONGs), compostas por profissionais da área, podem fazer esse tipo de turismo de maneira equilibrada, com o intuito de preservar o rio e a comunidade de botos que vive na região”, pontuou.
 

Comportamento

Estudos apontaram que os botos que vivem no Rio Araguaia possuem um comportamento discreto. Eles aparecem na superfície da água e, em questão de segundos, desaparecem novamente.

Eles se alimentam de diversas espécies de peixes e não há nenhum tipo de ração ou produtos artificiais na alimentação deles.

Os botos possuem dentes considerados muito resistentes, mas não são agressivos e não é considerado uma ameaça aos humanos. No entanto, eles costumam brigar entre si.
 

Ameaçados de extinção

Os estudos sobre o boto 'Inia Aragualiaensis' teve início em 2014 pelo professor Tomas Hrbek. A espécie está ameaçada de extinção, segundo o Instituto Araguaia, que realiza o estudo e monitoramento desses animais.

Além de existirem apenas cerca de 1,5 mil exemplares da espécie, o que tem dificultado a reprodução, a instalação de usinas hidrelétricas e a construção das barragens no Rio Araguaia, colocam em risco a existência desses botos.

Nova espécie é parecida esteticamente com o boto-cor-de-rosa, mas é diferente em termos de genética e vivência — Foto: Instituto Araguaia/ Divulgação

Nova espécie é parecida esteticamente com o boto-cor-de-rosa, mas é diferente em termos de genética e vivência — Foto: Instituto Araguaia/ Divulgação

Os pesquisadores também avaliam que o nível do rio tem abaixado nos últimos anos. Com isso, o habitat desses animais pode ser prejudicado. Fonte G1


 


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