24/08/2021 às 20h08min - Atualizada em 24/08/2021 às 20h08min

Guarda chora ao relatar grito de animais e colegas desmaiando durante combate ao incêndio

Gazeta Rondônia

O combate ao incêndio no Parque Estadual Juquery, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, conta, desde domingo (22), com a ajuda de vários profissionais da cidade, além dos agentes do Corpo de Bombeiros, que trabalham noite e dia para o controle das chamas que já atingiram 80% do parque.

Um desses combatentes é o guarda-civil Adelson Oliveira, de Franco da Rocha, que está na linha de frente para a contenção do incêndio que está destruindo a reserva ambiental.

Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda (23), Adelson Oliveira chorou ao falar do incêndio e da impossibilidade dos brigadistas em ajudar os animais presos entre as chamas.

“Esse aqui é sexto ou sétimo foco que a gente tenta conter para não se espalhar e o prejuízo ser maior. Graças a Deus a gente não vai poder conter 100%, mas pelo menos uma boa parte a gente vai conseguir... E o que mais dói é que daqui a gente ouve o grito dos bichinhos lá embaixo, pedindo socorro, e a gente não consegue ajudar. A gente não pode entrar lá para salvar o bicho, senão a gente morre queimado”, afirmou ele comovido 

O incêndio entrou nesta terça (24) no terceiro dia. Segundo o Major Palumbo, porta-voz dos bombeiros, cerca de 75 bombeiros e 30 brigadistas continuam trabalhando no parque, com a ajuda de dois helicópteros e duas aeronaves.

No vídeo postado nas redes sociais, Adelson Oliveira também narra que vários colegas brigadistas desmaiaram por causa das chamas e tiveram que ser reanimados.

“Olha o que o que o criminoso de um baloeiro conseguiu fazer mais uma vez com a riqueza que a gente tem no nosso município... Mais de cinco horas aqui, exausto... Muitos colegas aqui não aguentaram, sentiram mal e desmaiaram. Foram reanimados e estão lá de novo”. 

Incêndio consome parte do Parque Juquery em Franco da Rocha, Grande São Paulo, em 23 de agosto de 2021 — Foto: Carla Carniel/Reuters

Indignado com a ação de baloeiros que pode ter gerado o fogo que devastou a reserva, o guarda de Franco da Rocha diz que a prática “criminosa dos baloeiros” precisa ser esquecida e banida.

“Por causa de um criminoso. Baloeiro criminoso, vários pais de família aqui. Casco de tatu a gente encontrou ali queimado, cobra agonizando. Parem com esse ato criminoso. Esquece isso. Vai fazer outra coisa da vida, não soltar balão”, contou. 

Em nome dos colegas, ele também agradeceu no vídeo a ajuda que a população do entorno do parque está fazendo para ajudar as equipes, levando água, mantimentos e equipamentos para os brigadistas.

 

Parque 80% devastado

 

O incêndio causado por um balão que atingiu o Parque Estadual do Juquery consumiu cerca de 80% do local, segundo a Prefeitura de Franco da Rocha. Nesta terça-feira (24), os bombeiros e brigadistas entraram no terceiro dia de combate às chamas.

Incêndio no Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, na Grande SP — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente

Incêndio no Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, na Grande SP — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente

O parque, criado em 1993, abriga o último grande remanescente de Cerrado na Região Metropolitana de São Paulo. O local foi criado com o objetivo de conservar mata nativa e áreas de mananciais do Sistema Cantareira.

Após mais de 40 horas de trabalho, o Corpo de Bombeiros conseguiu com que o fogo não se expanda para outros locais, mas ele ainda não foi extinto. Nesta terça, 70 bombeiros e 60 brigadistas do parque seguiam atuando no local.

"Temos equipes para apagar pequenos focos. A madeira queima em profundidade, quer dizer, queima dentro. Você pode apagar do lado de fora, e depois existe o risco de reignição, por causa do tempo seco, e pode queimar de novo", explicou o Major Palumbo 

Um vídeo do combate às chamas nesta segunda-feira (23) mostra o momento em que o fogo avança próximo aos bombeiros. "Olha o fogo vindo pela direita! Vamos recuar, recua! Está pegando na mangueira!", grita um profissional. 

As cinzas do incêndio no parque estadual foram transportados pelo vento para a capital paulista e moradores de diversas regiões relataram uma "chuva de fuligem" invadindo casas desde a tarde de domingo (22).

Dois dos três animais que foram resgatados em meio ao incêndio do Parque do Juquery não resistiram aos ferimentos e morreram na noite da segunda-feira (23), segundo informações de policiais ambientais.

Incêndio no Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, na Grande SP — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente

Incêndio no Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, na Grande SP — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente

De acordo com a capitã Paola Mele, comandante da 1ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental, responsável por fiscalizar a região, morreram o ouriço quanto a cobra que tinham sido resgatados.

No local, habitam onça-parda, lobo-guará, tatu canastra, tamanduá-mirim, capivara, cachorro do mato, jararaca, cobra coral, tucano, seriema, veado-campeiro e jaguatirica, entre outras espécies. 

 

Investigação

 

O fogo começou na manhã do domingo (22) e a suspeita das autoridades é que tenha sido provocado pela queda de um balão.

Ao menos sete pessoas foram detidas no domingo por policiais suspeitas de soltarem balões na área. Ao menos uma dela pagou fiança de R$ 3 mil para ser solta e responder ao crime ambiental em liberdade. Os demais detidos também foram libertados. A Polícia Ambiental estuda a possibilidade de multar os baloeiros em R$ 10 mil cada um por infração ambiental.

Incêndio destruiu cerca de 80% do Parque do Juquery, segundo a Prefeitura de Franco da Rocha — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente

Incêndio destruiu cerca de 80% do Parque do Juquery, segundo a Prefeitura de Franco da Rocha — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente

Fonte: G1


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