25/08/2021 às 14h58min - Atualizada em 25/08/2021 às 14h58min

Famílias recebem acolhimento em Hospital Oncológico Infantil, durante a experiência do luto

Gazeta Rondônia
Assessoria

Há dois anos, com o objetivo de acolher familiares que perderam entes queridos para o câncer, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, de Belém do Pará, realiza o projeto “Flores no Caminho”. 

A ação, que envolve médicos e psicólogos da área de Cuidados Paliativos da unidade, promove encontros semestrais e permite que os familiares compartilhem suas experiências, dores e saudades com outras pessoas que também tiveram perdas para o câncer. 

No último sábado (21), foi realizada a terceira edição do projeto, que reuniu, ao todo, 18 pessoas. Após um período de interrupção devido à pandemia, o projeto voltou a atender os familiares seguindo todas as medidas de segurança.

Durante o encontro, familiares e membros convidados possuem a oportunidade de falar sobre saudades, convivência com a perda, perspectivas na vida, entre outros assuntos. A estratégia utilizada pelos profissionais que conduzem o encontro envolve a fala dos participantes, de modo voluntário, a partir de uma frase motivadora retirada de uma caixa. 

De acordo com a psicóloga Luana Fernandes, a “dinâmica do projeto permite uma reflexão sobre a perda sofrida pela pessoa, permitindo que o seu sentimento seja compartilhado com o outro, sendo um alívio emocional e, ao mesmo tempo, trazendo outras experiências, não só de dor, mas, principalmente, de amor”. 

Inaugurado no ano de 2015, o Oncológico Infantil, localizado em Belém, é a principal referência no norte do País no tratamento de crianças e adolescentes, entre 0 e 19 anos. O hospital pertence à rede pública de saúde do Governo do Pará, com atendimento gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde). 

A unidade é gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, recebendo pacientes encaminhados pela Central de Regulação de Vagas da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).

Um dos profissionais com atuação no “Flores no Caminho” é o psicólogo Thiago Pinheiro, que integra a equipe de Cuidados Paliativos. O profissional aponta a importância desse cuidado aos familiares enlutados.

“O projeto permite a promoção da continuidade aos cuidados centrados nas pessoas, proporcionando momentos que possam dividir suas angústias, receber suporte com as experiências de outras pessoas que passam pela mesma condição. Mostra que o nosso plano terapêutico transcende a questão saúde-doença, pois o foco é no ser humano, no cuidar do outro”, afirma. 

Saudades e inspiração para a vida

Quem esteve presente pela primeira vez no projeto foi Thays Campos, mãe enlutada. A vida, após a perda da filha Thayná, de 7 anos de idade, que lutou por mais de 3 anos contra um câncer renal, tem sido um dos mais difíceis recomeços para ela. 

“As reviravoltas da vida nos surpreendem e descobrimos que nem tudo acontece como planejamos ou desejamos. Levou um certo tempo para perceber que perdia muito tempo desperdiçando forças, olhando e me debatendo com as ‘pedras’ que eu encontrava no caminho”, disse a mãe. 

Thays considerou o encontro um momento mágico. “Foi um bálsamo para mim sobre a minha dor. Saber que não estamos sozinhos é muito importante. O evento reforçou a ideia de que precisamos parar de olhar as pedras pelo caminho para que as flores não passem despercebidas”, frisou. 

“Minha filha tinha uma imensa vontade de viver e por ela alimento essa vontade. Embora tão nova, minha filha deixou um lindo legado e é por ela que prossigo”, conclui Thays.

Segundo Patrícia Carvalho, pediatra do Oncológico Infantil, ao longo do processo de adoecimento, principalmente nos casos com a evolução do câncer para a fase final da vida do jovem, o Oncológico Infantil mantém diálogo constante, além de orientações às famílias. 

“Mesmo com o falecimento do paciente continuamos oferecendo aos familiares o serviço do ambulatório de Cuidados Paliativos, semanalmente. Nos encontros do projeto ‘Flores no Caminho’, participam os familiares que tenham passado pelo luto há mais de três meses”, esclarece.   

A profissional pontua que antes desse período de três meses “os familiares ainda estão muito mobilizados emocionalmente, podendo desencadear um sofrimento intenso se a participação for precoce”. Em casos identificados pelos profissionais, onde se faça necessário acompanhamento clínico do familiar, existe a articulação da unidade com a rede pública de saúde mental, por meio dos serviços oferecidos como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Fonte e fotos: 
Comunicação Pró-Saúde.


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