30/10/2021 às 10h48min - Atualizada em 30/10/2021 às 10h48min

De pesquisa à assistência técnica, jovens agrônomos aproveitam as oportunidades criadas pelo desenvolvimento da agricultura na região de Cerejeiras

Mais de 100 profissionais da agronomia trabalham somente no município cerejeirense. Os vários campos de atuação permitem que diversos perfis de profissionais possam exercer seus talentos.

Rildo Costa
Erminia se encontrou na pesquisa agronômica. Ela estuda em Colorado do Oeste e trabalha em Cerejeiras. (Foto: Rildo Costa)
A região de Cerejeiras é palco de um dos lugares mais propícios para a agricultura do mundo. Aqui, quando o clima castiga, sendo mais severo e com chuvas mais raras, os produtores de soja e milho tem uma boa safra. Mas quando o clima colabora, a safra passa para o nível da excelência.

No fluxo desta prosperidade está o profissional que, no dia a dia, faz essa máquina girar.

Estamos falando do engenheiro agrônomo.

Não existe, em nenhum lugar do mundo, uma agricultura realmente competitiva sem a presença deste profissional.

Por exemplo, a soja só veio para as regiões mais tropicalizadas do Brasil por causa dos agrônomos, que pesquisaram e desenvolveram espécies que se adaptam ao clima do Cerrado e, depois, da Amazônia.

Se não fossem os agrônomos, a soja seria apenas uma subcultura de aventura confinada em pequenas comunidades agrícolas do Sul do Brasil.

E não é só na soja, mas em todas as culturas este profissional é essencial. Até mesmo para a pecuária, pois o agrônomo cuida da terra e a pastagem é considerada uma cultura.
A importância deste profissional gera também demandas para que os jovens sigam esta profissão.

O autor desta reportagem percorreu a região de Cerejeiras e conversou com jovens agrônomos que estão aproveitando as oportunidades que a agricultura trouxe para esta profissão.
A primeira informação que consegui apurar, e que deve ser bem explicada aqui, é que a atividade agronômica tem vários perfis de personalidade dos profissionais.

Por exemplo, se o jovem agrônomo tem um perfil mais extrovertido, é quase certo que ele se encaixa melhor como representantes comerciais das empresas de representação agrícola.

 

 
É o caso, por exemplo, do agrônomo Alex Lopes, de 27 anos, que trabalha para a Cultivar.

Há quase um ano no novo emprego, o jovem já chegou a trabalhar na Copama e em uma empresa de consultoria agrícola. “Essa passagem por vários campos de atuação foi importante para mim, pois peguei experiência e me testei em vários modelos de trabalho, assim eu descobri onde me realizo melhor como profissional”, explica Alex.

A região de Cerejeiras tem uma média de sete ou outro empresas de representação agrícola, como a Agro Produtiva, a Tecno Agro e a Cultivar, para citar apenas três. Cada uma dessas empresas contrata uma média de um a três agrônomos.

Para os jovens agrônomos que têm aquele perfil mais analítico, talvez o campo de atuação mais indicado para eles sejam a pesquisa agronômica.

Esse é o caso, por exemplo, dos jovens João Pedro Guedes, de 22 anos, e Erminia Sartori Escarpanezzi, de 20, que trabalham no Centro de Pesquisa Agropecuária (CPA), uma empresa de pesquisas agronômicas com sede em Cerejeiras.


 

 
João Pedro, que estuda Agronomia na Faron de Vilhena, afirma que decidiu seguir este caminho dentro da profissão por gostar da pesquisa. “Gosto de trabalhar na produção de conhecimento e me sinto realizado fazendo isso”, disse.

O mesmo afirma Erminia, que está no 5º período do curso de Agronomia no Ifro de Colorado do Oeste, também tem o perfil de pesquisadora. “A pesquisa é um campo da Agronomia que me identifiquei”, diz.

Além desses modelos de trabalho, há também os jovens agrônomos que estudam para trabalhar na propriedade da família.

Geralmente são filhos de agricultores pioneiros na região, como é o caso da jovem agrônoma Jéssica Schiochet, de 26 anos, de uma família de produtores de Cerejeiras.

Assim que chegou a idade de escolher uma profissão, Jéssica não teve dúvida. “Sendo de família de produtores rurais, sempre tive contato com a agricultura e sempre gostei muito da área. Nunca pensei em fazer outro curso a não ser Agronomia e ao longo do meu período de faculdade foi despertando a vontade de ir para a lavoura trabalhar na propriedade dos meus pais”. E complementa: “Eu sabia que não ia ser fácil, mas a paixão pela agricultura foi mais forte e hoje não me imagino fazendo outra coisa”.
 
 


Também existe o agrônomo que escolhe o caminho do cooperativismo.

É o caso do jovem Vinícius Prudente, que está concluindo o curso de Agronomia pela Faron, de Vilhena, e integra a equipe técnica da Copama, em Cerejeiras. “A cooperativa é uma empresa diferente, onde os grandes e os pequenos têm o mesmo tratamento. Por isso, gosto de trabalhar com o cooperativismo”, diz o jovem agrônomo, que é um dos técnicos do programa Copama+10, uma iniciativa da Copama que oferece assistência técnica gratuita para os cooperados da instituição.

Existem ainda os jovens agrônomos que trabalham em grandes propriedades rurais. Há, ainda, aqueles profissionais que preferem empreender, seja seguir uma carreira como consultor independente ou até montando negócios do agro.

Além disso, cabe lembrar que o jovem agrônomo pode trabalhar também em outras culturas além da soja e milho. Por exemplo, a região de Cerejeiras tem potencial para culturas como  o café, o arroz e um vasto campo para o trabalho de assistência técnica na agricultura familiar, por meio de entidades públicas. A Prefeitura de Cerejeiras, por exemplo, vai abrir uma vaga para agrônomo em 2022 e destinará o profissional para cultivar um viveiro para reflorestamento no município.

E por falar em poder público, ele também é um empregador dos agrônomos. Órgãos como Idaron, Emater, e entidades como o Senar, também são oportunidades para jovens que queiram seguir a carreira de agrônomo.



Para descobrir que perfil o jovem agrônomo tem o aconselhável é experimentar as várias modalidades de trabalho.

Essa é a orientação do agrônomo Hugo Dan, fundador do CPA, em Cerejeiras. Hugo, que foi professor do Ifro e tem um doutorado em Agronomia, dá uma orientação bem prática para quem pretende trilhar o caminho da profissão. “Eu aconselho o jovem agrônomo a trabalhar em várias áreas. Por exemplo, ele pode trabalhar um tempo na pesquisa, outro tempo na assistência técnica. Assim o profissional vai pegando experiência e vai se descobrindo na área que gosta”, diz o veterano.

Para ser um agrônomo propriamente dito, com registro de classe e autorização para assinar laudos técnicos, o profissional precisa concluir o curso de Engenharia Agronômica. O curso, de nível bacharelado, pode durar de quatro a cinco anos.

Na região de Cerejeiras, o campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro) é o principal centro de formação dos agrônomos. A entidade, que é pública, oferece o curso de bacharel em Engenharia Agronômica (dentre outras graduações nas áreas de ciências agrárias, de animais e meio ambiente, além de oferecer também o Ensino Médio com formação técnica).

O campus de Colorado do Oeste é a unidade mais antiga do Ifro. Ele foi fundado a partir da Escola Agrotécnica Federal, sendo esta iniciada em 1993.

O campus coloradense é uma escola fazenda, com uma ótima estrutura física que é exemplar a nível nacional, além de ter profissionais altamente qualificados, tanto professores quanto equipe técnica administrativa.

Além do ensino, a entidade também tem atividades de pesquisa acadêmica e projetos voltados para a sociedade, que no linguajar universitário é chamado de extensão universitária.
Desde o início dos cursos de Engenharia Agronômica, em 2011, o campus do Ifro de Colorado do Oeste já formou exatos 219 engenheiros agrônomos. Atualmente, 364 estudantes estão matriculados no curso.

Em contato com o autor desta reportagem por meio da assessoria de imprensa da instituição, o diretor-geral do campus do Ifro de Colorado do Oeste, Marcos Aurélio Anequine de Macedo, que é, inclusive, um agrônomo de formação, fala da importância da instituição para a formação deste profissional para a região. “O Ifro, campus Colorado do Oeste, prepara seus alunos para serem profissionais altamente qualificados para atuação direta em sua área de formação. Além disso, ele oferece oportunidades aos alunos aprenderem e participarem de atividades de pesquisa científica e extensão para que possam futuramente realizar seus próprios projetos para o desenvolvimento da região em que forem trabalhar”, diz o diretor-geral.

Além do campus do Ifro em Colorado do Oeste, há em Vilhena pelo menos mais duas instituições que oferecem o curso de Engenharia Agronômica. As duas, que são a Faculdade da Amazônia (Fama) e a Faculdade Marechal Rondon (Faron), são particulares.


 

 
Talvez a melhor forma de concluir esta reportagem sobre os jovens agrônomos que aproveitam as oportunidades na região de Cerejeiras seja fazer a seguinte reflexão.

A agricultura é uma atividade muito nobre, que deve receber todos os incentivos, defesas e elogios. Entretanto, a agricultura tem uma forte barreira de entrada: a posse da terra. Em outras palavras, acesso ao capital. Para exercer a atividade da agricultura, é preciso ter acesso a uma propriedade rural, que está cada vez mais valorizada.

Mas a profissão de agrônomo não tem esta barreira de entrada. Qualquer jovem, munido de uma força de vontade e um senso de propósito, pode ingressar na profissão. Como já dissemos, o Ifro, por exemplo, é uma instituição de ensino de Engenharia Agronômica pública e gratuita. Ou seja, a barreira de entrada é muito menor que a posse da terra.

Para ilustrar este fato, vamos fazer uma “conta de padaria”. Somente o município de Cerejeiras tem uma média de 300 médias e grandes propriedades rurais produtoras de soja e milho. Mas, segundo profissionais ouvidos por esta reportagem, pode haver atualmente uma média de 100 agrônomos trabalhando no município. Ou seja, a agricultura abre um leque de oportunidades para quem tem terra, como os produtores, mas também para quem não tem, como os agrônomos.

Adiciona-se a isso o fato de que a agricultura na região de Cerejeiras é uma atividade em constante progresso. “Aqui as oportunidades são muitas”, disse o veterano Hugo Dan. O jovem agrônomo Alex Lopes também acredita nisso. “A região de Cerejeiras tem um solo que encanta os especialistas. Aqui vai se tornar uma potência”.

Sendo assim, a agronomia, como profissão, pode ser o caminho de entrada de jovens que até então não tiveram acesso à terra e, através da sua atividade agronômica, possam também viver da terra. Até porque a terra sem um agrônomo não produzirá com toda a sua força. Assim, proprietários e agrônomos vivem da agricultura cultivada na vasta extensão de terra que se estende sobre a região de Cerejeiras.



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