07/02/2021 às 17h31min - Atualizada em 07/02/2021 às 17h31min

Delegacia registra 12 ocorrências de estelionato em apenas 6 dias em Cerejeiras, dados vazados já causam prejuízos

Gazeta Rondônia
Gazeta Rondônia
A delegacia de polícia civil da comarca de Cerejeiras (RO) que também atende os municípios de Corumbiara e Pimenteiras do Oeste registrou, do dia 01 ao dia 06 de fevereiro de 2021. 12 ocorrências policiais relacionadas ao crime de estelionato.

Segundo apurou a reportagem do portal eletrônico Gazeta Rondônia, as ocorrências policiais foram registradas até as 10h da manhã deste sábado (6) e  as maiores vítimas nos últimos dias tem sido idosos, aposentados e pensionistas do INSS que tem seus nomes e dados pessoais envolvidos em golpes de empréstimos consignados.

Uma idosa de 72 anos, identificada com C.L., moradora de Cerejeiras, relatou em ocorrência policial que no dia 25 de janeiro foi realizado depósito em sua conta bancária no valor de R$ 13.400,00 (treze mil e quatrocentos reais) referentes a um empréstimo consignado para descontar da sua aposentadoria, que foi realizado sem sua autorização ou assinatura, a vítima informou ainda não ter conhecimento de valores e quantidades de parcelas que seriam descontando futuramente de sua aposentadoria e afirma não querer fazer uso do dinheiro.

Outra vítima que registrou ocorrência foi B.L.G., 67 anos, também moradora de Cerejeiras, que relatou que foi creditado em sua conta bancária o valor de R$ 2.435,00 (dois mil, quatrocentos e trinta e cinco reais) oriundos de um empréstimo consignado sem sua prévia autorização. A semelhança dos casos acima relatados, é que, ambas as vítimas possuem conta no banco Bradesco, onde recebem suas aposentadorias e os empréstimos consignados fraudulentos foram realizados por uma empresa denominada C6 BANK.

VAZAMENTO DE DADOS PESSOAIS JÁ TEM REFLETO NEGATIVO E SALDO DE PREJUÍZOS.
 

O Vazamento de dados de “220 milhões de brasileiros” não aconteceu da noite para o dia, o maior vazamento de dados do qual se tem notícia até hoje, aconteceu no dia 19 de janeiro. Foram vazados dados de 220 milhões de brasileiros, ou seja, mais pessoas do que a população viva no Brasil. Noticiado pelo Tecnoblog, o vazamento ainda traz desdobramentos a respeito dos dados expostos na internet.

São cerca de 40 GB de dados pessoais, contendo mais de 200 milhões de CPFs. O que assusta é ver que os CPFs aparecem em várias das amostras. Algumas pessoas tiveram dados completos vazados já na amostra e há algumas fotos de rosto também.

A Receita Federal negou vazamento de sua base de dados e se colocou à disposição das autoridades para que o fato seja apurado e devidamente esclarecido.

A Agência Nacional de Proteção de Dados informou que está apurando o caso para encontrar a fonte do vazamento e “concluída esta etapa, a ANPD sugerirá as medidas cabíveis, previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para promover, com os demais órgãos competentes, a responsabilização e a punição dos envolvidos”.
 
Um vazamento dessa magnitude afeta os brasileiros, pois estamos vivendo na era em que os dados são considerados o novo petróleo em razão do valor. Sendo assim, o que tivemos foi um grande assalto às casas de muitas pessoas, e o problema é que isso desencadeia toda possibilidade de criação de cadastro, engenharia social, entrar em contato, golpes que ficam mais fáceis, marketing, direcionamento de campanhas, verificação de informações pessoais e de empresas. Fazendo uma metáfora com a situação, é como se as pessoas ficassem sabendo que as cópias das chaves de suas casas estão disponíveis para qualquer um. Qualquer interação que se tenha entre pessoas, empresas e no uso de aplicativos é preciso disponibilizar dados. É utópico dizer que nossos dados estão 100% seguros.
 
O que fazer agora?


Segundo Adriano Mendes, do escritório de advocacia Assis e Mendes, especializado em direito digital, o vazamento causa perplexidade e é considerado o maior até o momento no Brasil. “Pelo tipo, quantidade e qualidade dos dados encontrados é inegável que este banco de dados não foi formado em pouco tempo ou sem acesso a um grande volume de dados vindos de bancos, empresas de crédito, banco de dados do governo e também de serviços de proteção de crédito”, afirma.

O advogado explica que, por enquanto, não há o que ser feito a respeito do vazamento de informações pessoais. “Ainda não conseguimos ligar os problemas descritos a este vazamento. Precisamos de uma ligação entre causa e efeito para conseguirmos entrar com uma ação e ainda estamos investigando para saber o que é possível. Mesmo que as sanções da LGPD ainda não estejam em vigor, pois só passarão a valer a partir de 1º de agosto deste ano, sendo descoberta a empresa que deu origem ao vazamento, certamente haverá a aplicações de multas baseadas em outras leis como o Código de Defesa do Consumidor ou legislações específicas”, diz.

Para Mendes, o consumidor só terá direito a algum tipo de indenização se tiver algum tipo de problema ou prejuízo em razão do vazamento. A dica que o especialista deixa é aproveitar a oportunidade para rever senhas e ligar a autenticação dupla de contas pelo número do celular ou pelo e-mail. “É muito frustrante descobrirmos que nossos dados já faziam parte de uma base de dados gigantesca que foi exposta por questões técnicas que poderiam ser evitadas e ninguém assumir a responsabilidade ou nos avisar“, afirma o advogado. Com informações da Revista Exame.
 

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