21/02/2021 às 09h34min - Atualizada em 21/02/2021 às 09h34min

Covid-19 pode afetar os testículos, afirma pesquisa

Inflamação no órgão pode passar despercebida e afetar produção de sêmen, mas infertilidade não foi comprovada, diz urologista

Gazeta Rondônia

A infecção causada pela covid-19 pode prejudicar os testículos e afetar o sistema reprodutor masculino, segundo revelou um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Isso acontece porque, de acordo com o urologista Alex Meller, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, assim como no pulmão, há nos testículos uma grande quantidade da enzima angiotensina 2, que facilita a entrada do coronavírus na célula.

Os pesquisadores do estudo analisaram 26 pacientes, entre 21 e 42 anos, que apresentaram sintomas leves e moderados da infecção pelo SARS-CoV-2 e que não tinham nenhum outro problema que pudesse comprometer a região testicular. Ao fim da análise, 42,3% apresentaram epididimite, uma inflamação no epidídimo, canal localizado na parte posterior dos testículos, mesmo sem queixas de dor.

pesquisa foi publicada no último dia 9 na revista científica Andrologia e mostrou que mais da metade dos pacientes que desenvolveram epididimite apresentaram um aumento significativo e perceptível da cabeça do epidídimo, além do aumento do fluxo sanguíneo, espessamento da pele e aumentos volumétricos significativos e identificáveis ​​da estrutura.

“Nossa hipótese é que os padrões de epididimite SARS-CoV-2, descritos aqui pela primeira vez, são distintos da epididimite bacteriana clássica que comumente começa a afetar a cauda do órgão e, em seguida, progride para o corpo e, eventualmente, para a cabeça”, diz a publicação.

Na publicação, os pesquisadores explicam que a epididimite provocada pelo coronavírus pode passar despercebida na avaliação clínica dos homens que desenvolveram a covid-19 e ter efeitos prejudiciais na produção de sêmen. “O epidídimo é o local de muitas reações bioquímicas essenciais nos espermatozóides, levando à capacitação para a reação acrossômica, que é crucial para fertilizar o oócito e a motilidade progressiva do esperma”.

Segundo Meller, ainda não há nenhum estudo sobre o impacto da covid-19 na fertilidade em homens ou na produção de testosterona. “Discute-se se ele [o coronavírus] está gerando alteração na célula ou só se replicando sem afetar seu funcionamento. Agora, é preciso entender se a presença do vírus gera ou não impacto”, explica.

O especialista recomenda, no entanto, que homens que já foram diagnosticados com covid-19 e que estejam em idade fértil, procurem um profissional em urologia para que seja feita uma avaliação dos testículos e de possíveis alterações no sêmen. “Para não ser pego de surpresa três anos depois sem nem saber o porquê. Mas as consequências para a fertilidade devem aparecer após três meses ou mais do quadro infeccioso nos testículos, então não adianta analisar precocemente”, explica.

Dor ou inflamação na região e, eventualmente, sinais de febre são alguns dos sintomas que podem indicar se a infecção pelo novo coronavírus atingiu o sistema reprodutor. Fonte R7

 

 

 

 
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