23/09/2022 às 21h07min - Atualizada em 23/09/2022 às 21h07min

Com ecossistema 100% equilibrado, fazenda de café não utiliza insumos químicos na plantação

O engenheiro agrônomo de Monte Carmelo (MG) será um dos palestrantes do III Simpósio de Manejo Biológico de Café, nos dias 5 e 6 de outubro, em Franca (SP)

Gazeta Rondônia

Gazeta Rondônia Publicidade 790x90



Como chegar ao ponto de conquistar um ecossistema tão perfeitamente equilibrado, de forma que os próprios agentes naturais sejam capazes de suprir nutrientes e combater pragas da plantação? É essa experiência de quem conquistou o patamar ideal em sua propriedade que o engenheiro agrônomo Marcelo Urtado irá compartilhar durante o III Simpósio de Manejo Biológico de Café, realizado nos dias 5 e 6 de outubro em Franca (SP) - Simposio Cultura do Café (@simposioculturadocafe)


Com o tema ‘As práticas que nos levaram ser carbono negativo’, Urtado levará aos participantes informações sobre as práticas conservacionistas na agricultura, focadas na adoção de ações que visem à redução do balanço de carbono, ou seja, sequestrar mais do que emitir.
“Uma das iniciativas que me fizeram chegar a esse equilíbrio é manter o solo todo da fazenda coberto o tempo, com plantas de cobertura e árvores variadas, inclusive trazendo a natureza para dentro da área produtiva, no meio do café. Dessa forma, mudamos o ecossistema, criando um meio conservativo e dependendo menos de insumos externos”, explica o agrônomo.

Apesar de Marcelo ter nascido em uma família que trabalhava com plantação de café, e sempre ter trabalhado na fazenda da família, somente em 2016 iniciou na atividade como produtor, quando ele e a esposa adquiriram a Fazenda Três Meninas, em Monte Carmelo, no cerrado mineiro. “Quando compramos a fazenda, já iniciamos o manejo conservativo. E este é um processo de médio a longo prazo, mas que, para garantir os resultados, não pode queimar etapas”, alerta.
“Com este manejo, a fazenda fica mais equilibrada, resiliente. A natureza é nossa sócia, mas precisamos fazer a nossa parte para a natureza nos ajudar”, orienta.
Urtado explica que, quando começou o processo de transição, o cafezal ‘estava na UTI precisou de quimioterapia’. “Tivemos um aumento de custo de 20% para fazer a transição, que durou em torno de quatro anos e meio, mas a produtividade se manteve. Fizemos uma transição lenta, por isso conseguimos manter a produção”, explica.

Hoje a propriedade não utiliza nenhum produto químico para equilibrar as pragas. “O objetivo não era deixar de utilizar o insumo, mas sim deixar o ambiente estabilizado. Porém, conquistamos um equilíbrio a tal ponto que hoje não precisamos utilizar mais nenhum. Porém, quando há necessidade, uso o insumo biológico. Mas é importante ressaltar que, no período de transição, é indispensável esse uso consciente do insumo químico até chegar a esse ecossistema equilibrado”.

E essa mudança, além de beneficiar o meio ambiente, se reflete no bolso. “A redução nos custos com fertilizantes foi em torno de 47%, na última safra”, explica.
Paladar consciente – Segundo o agrônomo, a fazenda conquistou uma visibilidade muito maior devido à utilização das práticas conservacionistas, já que, dentre outros pontos, atende uma demanda global do consumidor de café. “Cada vez mais, as pessoas querem o produto com rastreabilidade, saber quem produz e de que forma”.

Neste contexto, a propriedade começou a vender para torrefadoras de cafés de especiais e o produto é comercializado como ‘café carbono negativo’, garantindo ainda mais valor agregado ao produto.

Esse não foi um processo que Marcelo trilhou sozinho. Ele contou com as orientações e consultorias de pesquisadores e profissionais de instituições como a Epamig, a Universidade Federal de Uberlândia e o consultor Alessandro Guieiro.
Eu me cerquei de um time forte e os resultados de pesquisas eu coloquei em prática no campo. O trabalho funciona, mas é preciso dar um passo de cada vez, construindo um ambiente na fazenda. O importante é primeiro buscar conhecimento para, então, dar início ao processo de transição para o manejo conservativo, orienta.

Vale ressaltar que Marcelo também é presidente do Consórcio Cerrado das Águas, que reúne entidades e representantes da cadeia produtiva, que defendem a agricultura climaticamente inteligentes.

Simpósio 


O III Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café, que acontece no espaço Villa Eventos (Rodovia Eng. Ronan Rocha, 19304), nos dias 5 e 6 de outubro. As inscrições podem ser realizadas pelo link Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café em Franca - 2022 - Sympla

Fonte: Assessoria

Gazeta Rondônia Publicidade 790x90


Notícias Relacionadas »
Comentários »