24/10/2022 às 08h47min - Atualizada em 24/10/2022 às 08h47min

Júri condena a mais de 40 anos de prisão casal acusado de mandar matar prefeito

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Os dois acusados de serem os mandantes da execução do então prefeito de Colniza (MT), Esvandir Antônio Mendes, morto em dezembro de 2017, foram condenados a mais de 40 anos de prisão, cada um, pelo homicídio e tentativa de homicídio. A decisão foi tomada em júri popular realizado nesta semana, na Comarca de Juara.
 
O julgamento do empresário Antônio Pereira Rodrigues Neto e de sua esposa Yana Fois Coelho Alvarenga, ambos presos desde 2017, durou quatro dias e terminou na quinta-feira. O caso até hoje está em segredo de justiça.


O júri foi realizado na Comarca de Juara a pedido do Ministério Público Estadual. Na ocasião do julgamento dos outros dois réus, em outubro do ano passado, a Promotoria de Justiça de Colniza argumentou que a dúvida na imparcialidade dos jurados não possibilitariam o julgamento justo dos dois réus na comarca onde ocorreu o crime.
 
Enfatizou ainda que vários jurados que foram intimados para participar das sessões de julgamento manifestaram informalmente o desejo de não participar de eventual julgamento com temor dos acusados.
 
Indiciamento e prisões
 
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Colniza indiciou cinco pessoas pelo crime, o empresário de Colniza e a esposa dele, e os dois executores do crime, além de um adolescente, irmão do empresário, que teve a internação provisória decretada à época e respondeu por ato análogo aos crimes cometidos.
 
Os quatro adultos responderam por homicídio qualificado cometido por motivo fútil, por pagamento ou promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima; associação criminosa e tentativa de homicídio.
 
O inquérito foi concluído no final de dezembro de 2017 pelo delegado Edison Pick e contou com o apoio investigativo de uma equipe da Delegacia de Roubos e Furtos de Cuiabá, além da união de diversas unidades operacionais das Polícias Civil e Polícia Militar na busca pelos criminosos.
 
O empresário e os executores foram presos pela Polícia Civil logo após o crime. A dupla contratada para assassinar o prefeito foi presa em uma estrada, entre as cidades de Juruena e Castanheira.
 
Fuga
 
Os executores e o empresário fugiam de Colniza quando foram abordados por uma equipe do Grupo Armado de Resposta Rápida (Garra), da  Regional da Polícia Civil de Juína, que desde o crime, ocorrido no início da noite de 15 de dezembro de 2017, auxiliava nas investigações junto a uma força-tarefa coordenada pela Secretaria de Segurança Pública.
 
Com a dupla foram apreendidos R$ 60 mil em espécie. Já o empresário, morador de Colniza e que teria arregimentado os dois comparsas oriundos do Pará para o crime, foi apontado como o mandante e também participou da execução do prefeito.
 
De acordo com o delegado Caio Fernando Albuquerque, que conduziu as investigações junto com o delegado de Colniza, Edison Pick, o dinheiro encontrado no carro pertencia ao mandante, que atuava no ramo de rede de combustível e táxi-aéreo.
 
Crime e motivação
 
Antônio Esvandir Mendes conduzia uma Toyota SW4 preta, quando foi interceptado pelos criminosos, que estavam em um veículo SUV preto, a sete quilômetros da entrada da cidade.
 
A dupla de executores foi ao encontro da caminhonete e fez diversos disparos contra o prefeito, que ainda conseguiu dirigir, mas acabou morrendo depois de entrar no perímetro urbano, na Rua 7 de Setembro. Outros dois disparos feriram um secretário da Prefeitura que estava com o gestor.
 
De acordo com os criminosos, em depoimento, foram usadas quatro armas de fogo no crime, mas somente um revólver calibre 38 e um fuzil 22, com numeração raspada, foram encontrados pela Polícia Militar, dentro de uma bolsa deixada no mato.
 
As armas estavam a cerca de 15 km de Colniza, localidade onde também foi abandonada a caminhonete da ação criminosa. Duas pistolas, que segundo as informações levantadas, também foram usadas, teriam sido jogadas dentro de um rio.
 
Celulares apreendidos foram analisados pela equipe da Delegacia Regional de Juína e, a partir das informações obtidas, foi possível identificar a participação também da mulher do empresário.
 
Segundo as investigações, o crime foi motivado por uma cobrança de dívida. A mulher e o irmão dele foram presos dias depois do crime, por decisão judicial, após representação da Polícia Civil.
 
De acordo com o delegado Edison Pick, a mulher tinha conhecimento do crime e acobertou a ação do marido. Em interrogatório, ela se reservou ao direito de permanecer calada. Já o adolescente declarou que auxiliou a fuga dos executores, a pedido do irmão, mas negou que soubesse antes da ação criminosa.
 
Julgamento
 
Em outubro do ano passado, os dois executores do homicídio foram a julgamento. Eles foram condenados a, respectivamente, 28 e 25 anos de prisão pelo homicídio qualificado em decisão de júri popular realizado em Colniza. Fonte: MídiaNews.

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