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24/02/2023 às 09h43min - Atualizada em 24/02/2023 às 09h43min

Advogada que faz parte da diretoria da OAB é denunciada por repassar depoimentos de presos ao PCC

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Uma advogada de Campo Grande foi denunciada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por repassar depoimentos do processo que investiga o latrocínio, roubo seguido de morte, do professor Luciano Soares, de 41 anos, ocorrido na noite do dia 17 de janeiro em Nova Alvorada do Sul, a 115 km da Capital. As informações eram transmitidas a um interno da Penitenciária Estadual de Regime Fechado da Gameleira, liderança da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Conforme informações obtidas pelo Jornal Midiamax, durante as investigações sobre o latrocínio do professor foi descoberto que um dos autores presos teria fugido do estado do Paraná pois teria matado a esposa e estaria com mandado de prisão em aberto.

Também foi constatado durante as investigações que o latrocínio fazia parte de uma série de crimes que seriam cometidos com o objetivo de levantar dinheiro para organização criminosa. O destinatário das informações seria um interno do presídio da Gameleira, em Campo Grande.

Houve apreensão dos celulares dos envolvidos, após autorização do juiz responsável. Foi identificado que a advogada enviada até Nova Alvorada do Sul para fazer a assessoria jurídica dos presos pelo latrocínio, teria sido contratada pelo detento de Campo Grande.

Além de repassar recados para o interno, as investigações apontam que a advogada também tinha função de enviar os depoimentos dos presos, para comprovar que não haviam o delatado. O objetivo era se habilitar para ter acesso aos autos do processo e repassar ao detento para que o preso acessasse os depoimentos de dentro do presídio.

O interno cumpre pena por tráfico de drogas, integrar organização criminosa e homicídio. Ainda segundo apurado, o processo corre em segredo de justiça e a advogada já foi denunciada, junto aos presos, pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e enviado ofício para a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para instauração de processo administrativo contra ela.
 
A advogada integra a diretoria da Comissão Permanente da Advocacia Criminal a OAB-MS, como secretária-adjunta, conforme publicação da própria seccional em sua página oficial. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da OAB que afirmou que “os processos ético-disciplinares correm em sigilo e a OAB não pode informar por estar em segredo de justiça”.

Sete presos pelo crime

Sete pessoas foram presas suspeitas do latrocínio. Quatro deles são do estado do Paraná, dois de Campo Grande e um de Nova Alvorada do Sul. A prisão de dois deles ocorreu em uma boca de fumo localizada no Bairro Zé Pereira, na Capital, na manhã do dia 19, pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações).

Os outros quatro foram presos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) no distrito de Nova Casa Verde, quando tentavam voltar para o Estado vizinho. Durante investigação, foi constatado que o grupo do Paraná veio para Mato Grosso do Sul para roubar um veículo. A suspeita é que com o carro seriam realizados roubos e furtos em fazendas e depois o veículo seria levado para o Paraguai.
 
Diante da informação, na data do crime um dos indivíduos pulou o muro da residência e ‘lutou’ com o professor, em seguida efetuou os disparos, dois no peito e um no pescoço. 

 
“Como houve os disparos eles acabaram deixando o veículo para trás e fugiram. Nós os identificamos e prendemos dois em Campo Grande e avisamos a PRF que prendeu os outros 4 no distrito de Nova Casa Verde”, informou o delegado local.

Os quatro vieram para Campo Grande e ficaram na Capital por alguns dias. Depois seguiram para Nova Alvora do Sul, onde um morador da cidade passou informações sobre o professor se tornar uma possível vítima. Na época, a Polícia Civil informou que o professor tinha o carro e a casa com muros baixos, o que foi visto pelos autores como facilitador para o crime.

Durante a operação montada para localizar os suspeitos, foram apreendidas três armas de fogo, celulares, entorpecentes (cocaína, Crack e maconha), documentos, dinheiro e dois veículos utilizados para a pratica do crime.

Fonte: MídiaMax.

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