Donald John Trump tem CPF no Brasil e não tem dívidas registradas na Serasa
Pelo menos 36 empresas consultaram nesta quinta-feira (21), para saber se havia dívidas vinculadas ao presidente americano
Donald John Trump, nascido em 14 de junho de 1946, tem um Cadastro de Pessoa Física (CPF) em situação regular, segundo dados da Receita Federal, a Serasa e o SPC.
Tanto o nome quanto a data de nascimento do presidente americano são os mesmos dos registrados no CPF. A Casa Branca não retornou os contatos da reportagem.
Pelo menos 36 empresas consultaram o CPF de Trump nesta quinta-feira (21), após uma postagem nas redes sociais afirmar que ele tinha registro de dívidas negativadas na empresa de cadastro de crédito. A informação não é verdadeira, e o nome de Trump está limpo no Brasil de acordo com a Serasa e o SPC.
Algumas das empresas que consultaram o CPF do americano na Serasa são a Porto Seguro, o banco Bradesco Financiamentos, o banco Santander, as lojas Renner, a Allianz Seguros e o banco Votorantim.
Embora não tenha dívidas registradas no Brasil, nos EUA as empresas do presidente americano acumulam um total de débitos de cerca de US$ 1,8 bilhões (R$ 9,8 bilhões) com cerca de 150 instituições diferentes, de acordo com um estudo feito pelo Wall Street Journal.
O registro do CPF de Trump no Brasil foi feito em 2014, dois anos depois do anúncio de que um complexo de cinco edifícios com a marca de Trump, o Trump Towers Rio, seria lançado no Brasil a tempo da Olimpíada de 2016. Havia também a previsão de inauguração do Trump Rio de Janeiro Hotel, que, além de ter a marca do empresário, seria administrado pela Trump Organization.
Mas Trump desembarcou do hotel, que acabou sendo vendido para uma rede e mudando de nome. E o empreendimento das Trump Towers não deu certo, a construção nem começou. Em dezembro de 2016, às vésperas de assumir a presidência, Trump abandonou totalmente o projeto.
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À época, Paulo Figueiredo — denunciado pela PGR por tentativa de golpe e considerado por Trump um dos perseguidos por Alexandre de Moraes — era sócio do americano no hotel. Neto do ex-presidente da ditadura João Baptista Figueiredo (1979-85), Paulo Figueiredo foi diretor-executivo do Trump Rio de Janeiro Hotel. O projeto chegou a entrar na mira de investigações da Polícia Federal pelo financiamento via fundos de pensão.
Hoje, Figueiredo atua junto com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, em articulação com o governo Trump, em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em julho deste ano, Trump passou a defender Bolsonaro publicamente e a acusar a Justiça e o governo brasileiro de promoverem uma ‘caça às bruxas’.
Em 9 de julho, numa escalada das tensões, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. No fim do mês, o governo americano incluiu o ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky. Ele é acusado de usar sua posição para autorizar detenções arbitrárias antes de julgamentos e de reprimir a liberdade de expressão. Moraes é relator da ação em que Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado em 2022.
CPF para estrangeiros
Não são todos os estrangeiros que visitam ou moram no país que precisam ter CPF, segundo o Ministério da Fazenda.
O documento só obrigatório para quem, por algum motivo, precisa ter cadastro na Receita Federal. Isso inclui qualquer pessoa que queira ser proprietária de imóveis, carros, embarcações, aviões e helicópteros; e quem quer tem conta corrente ou aplicações em mercado financeiro e em mercado de capitais.
No entanto, qualquer pessoa, mesmo que estrangeira e não residente no Brasil, pode pedir a inscrição no CPF.
Embora o CPF tenha se tornado o principal número de documento usado pelos brasileiros, seu propósito original é cadastrar a pessoa na Receita Federal.
Fonte: Jota.