Em um cenário de avanço do agronegócio e do desmatamento, a cidade de Porto Velho, RO, inicia a implantação de microflorestas urbanas em terrenos antes degradados e sem uso definido. A proposta une recuperação ambiental, produção de alimentos e ampliação da cobertura vegetal em áreas públicas, incluindo Áreas de Proteção Permanente (APPs).
Nesta primeira etapa, o plantio inclui 300 mudas com cerca de 1,5 metro de altura e outras 30 árvores entre 3 e 5 metros. O plantio inclui espécies nativas e frutíferas, com a meta de transformar vazios urbanos em pomares acessíveis à população.
O projeto rompe com o modelo de arborização voltado apenas para ornamentação. Foram plantados cajú, cajazinha, jenipapo, azeitona e ingazinha entre as frutíferas. Também fazem parte do plantio ipê rosa, jacarandá, manguba, rezedá e sibipiruna.
Além da produção de frutas, a iniciativa busca recompor o solo e ampliar a sombra em regiões expostas ao sol intenso. A expansão da cobertura vegetal contribui para reduzir as ilhas de calor e melhorar a infiltração de água no solo. Esse tipo de vegetação pode reduzir em até 4,9ºC a temperatura em ambientes urbanos.
As microflorestas ajudam a reduzir a poluição do ar porque as árvores funcionam como captadoras de carbono, absorvendo dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e diminuindo o aquecimento global.
Além disso, também podem contribuir para a diminuição de ruídos nas cidades, a chamada poluição sonora. Outro benefício das microflorestas é o aumento da biodiversidade, atraindo pássaros, por exemplo.
A previsão é ampliar o projeto para outros pontos de Porto Velho, com foco em terrenos públicos degradados e áreas de preservação que hoje não cumprem função ambiental e social.
Impactos ambientais
A capital rondoniense registrou uma queda acentuada de 65,2% no desmatamento consolidado entre 2022 e 2024. Os dados são do sistema PRODES/INPE, órgão oficial responsável pelo monitoramento anual da Amazônia Legal.
Em 2022, o município atingiu um pico de 483,1 km² de área devastada, figurando entre os maiores desmatadores do país. No ano seguinte, o índice caiu para 263,7 km², consolidando a trajetória de declínio em 2024, que fechou com uma estimativa oficial de 168,2 km².
Especialistas atribuem o recuo à intensificação das fiscalizações ambientais e ao uso de embargos remotos. Contudo, o cenário permanece sob alerta: embora a derrubada total (corte raso) tenha diminuído, a degradação florestal por queimadas bateu recordes em 2024 devido à seca histórica na região.
Em 2025, foi o único ano de uma série histórica que a cidade não ficou coberta pela fumaça das queimadas, sufocando unidades de saúde e a população.
Iniciativa
A execução envolve equipes da administração municipal de Porto Velho: Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Semagric), a Secretaria Municipal de Saneamento e Serviços Básicos (Semusb) e apoio técnico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), responsável pela perfuração e preparo das áreas. O Viveiro Amazônia forneceu as árvores de maior porte nesta fase inicial.
Segundo o prefeito Léo Moraes, a ideia é dar função social ao paisagismo da cidade. “Não faz sentido plantar apenas para enfeitar. A cidade precisa produzir alimento, recuperar áreas degradadas e oferecer mais qualidade de vida para quem vive aqui”, afirmou.
“Estamos construindo ambientes mais saudáveis, diminuindo os impactos ambientais urbanos e melhorando a estrutura da cidade com mais verde’, disse Vinícius Miguel titular da Sema.
“Essas árvores tem grande potencial de recuperar essas antes degradadas, além de ajudar muito o meio ambiente”, falou Rodrigo da Silva Ribeiro da Semagric.
“Esse é um projeto inovador que para diminuir os impactos ambientais e garantir uma Porto Velho mais verde e sustentável para todos”, comentou Giovanni Bruno Souto Marini, responsável pela Semusb.
A cidade de Porto Velho possui parques urbamos arborizados, mas a cidade ainda tem uma baixa cobertura vegetal e no verão amazônico o calor e a sensação térmica prejudicam à população.
Fonte: Voz da Terra.