24/07/2021 às 09h42min - Atualizada em 24/07/2021 às 09h42min

Produção de leite gera renda para pequenos produtores no campo e cria empregos na cidade em Cerejeiras

A atividade leiteira é uma das únicas que geram renda mensal para o homem do campo. Saiba como esta atividade ajuda a economia do município.

Gazeta Rondônia
Rildo Costa
Propriedade leiteira em Cerejeiras. Renda direta do leite passa de R$ 2 milhões ao mês no município. (Foto: Rildo Costa)

A produção leiteira ocupa e desempenha importante papel econômico, social, nutricional e se caracteriza como uma das atividades que mais empregos geram no país, contribuindo, desta forma, para o progresso e desenvolvimento. 

Uma pesquisa da Embrapa concluiu que o leite está situado entre os seis produtos de destaque no segmento econômico denominado agropecuário.

Dois terços da produção leiteira são consumidos na forma de leite fluido ou como seus derivados diretos, como queijo, iogurtes, enquanto que um terço é direcionado para produção de cosméticos, medicamentos e artigos de higiene pessoal.
 

A bacia leiteira da região de Cerejeiras é composta por 1% de grande produtor, 20% de médio produtor e 79% de pequeno produtor. Considera-se o grande produtor aquele que produz média de 400 litros de leite por dia. O médio, de 100 a 400 litros diários. Abaixo de 100, considera-se como sendo pequeno produtor. A média na região de Cerejeiras é de 48 litros por produtor.

A pecuária de leite movimenta e provoca expansão das indústrias de rações, produtos veterinários, inseminação artificial, além de acarretar melhoria na renda das pequenas e médias propriedades, promovendo ainda significativo incremento de recursos em uma região, estimulando deste modo o crescimento comercial.

O Brasil é atualmente o quinto maior produtor de leite no mundo, mas ocupa uma tímida expressão no mercado internacional, sendo que a maior parte de sua produção esta voltada para o mercado interno.

O leite é rico em uma grande quantidade de nutrientes essenciais ao crescimento e manutenção de uma vida saudável.
 

O leite gera uma renda no mercado global no município de Cerejeiras de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil). Além disso, o leite gera empregos diretos na cidade. Somente um dos laticínios cerejeirenses tem 54 funcionários.

Fato irrebatível é que o leite desempenha um expressivo e relevante papel social, principalmente no que se refere à geração de empregos.

Assim como outros segmentos do agronegócio, pode-se atualmente afirmar que que os ganhos de produtividade, da eficiência e da maior lucratividade da atividade leiteira, decorrem basicamente na adoção de tecnologias que melhoram a eficiência no uso dos fatores de produção. O melhoramento genético dos rebanhos, a adoção de novas práticas de manejo, a utilização da irrigação, a adoção de medidas destinadas ao bem-estar e conforto animal, a incorporação de maquinários e equipamentos destinados a otimizar e facilitar a atividade, são fatores preponderantes para a evolução da produção e conquista de novos patamares de produtividade.
 

A receita do leite, além de gerar empregos imediatos nos laticínios, nas casas agropecuárias, nas veterinárias, nas lojas de materiais de construção e nas concessionárias de equipamentos e máquinas, reproduz seus efeitos em todo o comércio da região, pois em havendo um incremento na produção em 10.000 litros por dia, por exemplo, estão sendo gerados R$ 600 mil mensais que serão injetados na engrenagem econômica. Desta forma, com um incremento de 20.000 litros dia, por ano haveria um incremento de R$ 7,2 milhões a receita do segmento e da região, dinheiro que não existia e passou a figurar na economia local.

Diferentemente da pecuária de corte, que se vende o boi, o leite é diferente. Vende-se o leite (pelo produtor) e o produto lácteo (pelo laticínio), mas a vaca permanece na região e continua produzindo. Por mês, cerca de R$ 3 milhões em vendas de queijos para fora do estado de Rondônia é feita pelos laticínios de Cerejeiras. Ou seja, é dinheiro de fora entrando no município.

É sabido que o momento atual, onde o custo de insumos e especial da ração saiu do patamar de 35% para 50%, decorrente principalmente dos aumentos nos preços do milho e da soja, além dos adubos, é bastante difícil para o segmento, exigindo corte de custos e maior eficiência, pois este panorama é contextual e pode sofrer alterações no futuro – daí a necessidade de o produtor ter que ser mais eficiente e produtivo.
 
Em termos de renda por hectare, a atividade leiteira pode ser uma das mais rentáveis, desde que seja desenvolvida com eficiência e controle, com a vantagem de gerar uma renda mensal e não anual, o que capitaliza o produtor.

No entanto, é inegável que a exploração de vacas com produção diária de 3, 4, ou cinco litros diários, aparentemente está com os dias contados, devendo haver a incorporação de medidas para que a produtividade das propriedades salte degraus, saindo de uma produção diária de 30, 40 ou 50 litros dias para 60, 80 ou 100 litros, o que já viabilizaria a atividade e asseguraria maior renda e qualidade de vida ao produtor.
 

A região de Cerejeiras produz uma média de 60.000 litros de leite por dia. Essa produção toda é vendida para laticínios do próprio município e uma parte é entregue para indústrias de fora. Além de gerar renda no campo, o leite gera emprego na cidade.

A região de Cerejeiras tem uma tradição e enorme potencial para a atividade leiteira, principalmente nas áreas mais acidentadas impróprias para a agricultura mecanizada, mas podendo ser implantada em qualquer área até por exigir pouco espaço, quando tecnificada. Em Colorado do Oeste e Cabixi, assim como em Corumbiara e Cerejeiras, já houve em tempos passados uma expressiva produção de leite, mas sempre em razão de grande quantidade de produtores e não em razão altos índices de produtividade, quadro que pode (agora) ser facilmente mudado.

Havendo um trabalho conjunto a ser realizado e estimulado pelos municípios, pelos laticínios, e também pelas classes representativas, como os sindicatos dos produtores rurais e os de trabalhadores rurais, associações rurais, associações comerciais, podem ser implantados programas que visem permitir aos produtores que inicialmente aumentem em 30 litros sua produção diária, para que dado este passo inicial, se estabeleça uma revolução no segmento.
 

O Senar, em parceria com o Sindicato Rural de Cerejeiras, tem uma assistência técnica direcionada ao pequeno produtor de leite. O projeto Ateg (Assistência Técnica e Gerencial) contempla até 30 produtores por técnico. Atualmente, 23 pequenos pecuaristas leiteiros estão inscritos no programa e recebe assistência técnica do engenheiro agrônomo Joelson Bertola da Costa.

O fato de haver uma expansão acelerada e empolgante no segmento de produção de grãos na região não prejudica em nada a implantação de programas de fortalecimento e desenvolvimento da atividade leiteira. Ao contrário, temos exemplos no país, como a cidade de Toledo, no Paraná, que é referencia na produção de grãos e um dos maiores polos de suinocultura do Brasil, mas também acomoda uma das maiores e mais expressivas bacias leiteiras do estado paranaense.

Exemplos não faltam. Recursos também não. Agora só falta mesmo a disposição em fazê-lo.
 


 
 
 
 
 

 
 
 

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