O caso ocorreu na tarde do dia 6 de julho e segue sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Uma técnica de enfermagem foi presa após tentar levar uma recém-nascida em uma bolsa.
Familiares e um ex-namorado da investigada acreditavam na gravidez dela. A polícia encontrou um quarto de bebê montado na residência da mulher.
A tia da bebê relatou que a suspeita se passou por enfermeira para levar a recém-nascida de uma maternidade em Teresina, no estado do Piaui. Ela flagrou a criança dentro da bolsa no banheiro.
Durante o depoimento policial, a técnica de enfermagem preferiu permanecer em silêncio. A polícia afirma que a mulher agiu sozinha.
A defesa alegou diagnóstico de sintomas esquizofrênicos na suspeita. Contudo, o delegado descartou a hipótese de insanidade mental.
O delegado Hugo Alcântara destacou que familiares, colegas de trabalho e até um ex-namorado acreditavam em uma possível gravidez de Auricélia Rocha. Segundo ele, o ex-companheiro da mulher acreditava que seria pai do suposto bebê que ela esperava.
"A gente chegou a ouvir o ex-namorado dela, namorado na época dos fatos, que relatou que no final do ano passado ela disse pra ele que estava grávida e que o filho era dele. Ele até comprou coisas para o bebê, armário, ajudou a comprar fraldas e berço a pedido dela. Ele também acreditava que ela estava grávida", detalhou o delegado.
Ainda segundo o delegado, o homem contou em depoimento que chegou a notar uma possível barriga gestacional na até então companheira, mas que ela dispensava a presença dele em supostos exames de pré-natal.
"Ele relatou que no início percebeu a barriga dela crescendo e tudo. No decorrer do tempo, relatou que fazia mais ou menos uns três meses que eles estavam sem ter um contato mais íntimo, que ela passou a se trocar longe dele. Ele alegou que teria recebido alguns exames de imagem, mas nenhum com o nome dela", disse o delegado.
"A verdade é que não temos uma comprovação se ela está ou não grávida. Temos a comprovação que, atualmente, ela não está grávida", completou Hugo.
À Rede Clube, a tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, contou que encontrou a sobrinha dentro da bolsa da suspeita, com o zíper semiaberto.
Em vídeos, ela relatou que estava acompanhando a irmã após o parto e que foi abordada por uma mulher vestida como as outras enfermeiras da maternidade. A mulher teria se oferecido para facilitar a realização dos testes da orelhinha e do pezinho, essenciais para que a bebê recebesse alta médica.
Daniele contou ter sido orientada a ir para uma sala em outro andar para a realização dos testes. Segundo ela, a mãe da recém-nascida permaneceu no quarto para se recuperar do parto.
"Ela disse: 'Olha, eu vou entrar aqui, mas você tem que ficar aí fora, pois não podem te ver aqui. Sente ali no banquinho que eu já venho com ela'. Ela já estava com essa bolsa grande de lado e preta. Eu dei a neném pra ela, mas já sentindo uma coisa ruim", completou a mulher.
Ainda segundo a tia, a mulher teria saído da sala com uma bolsa grande, aparentemente sem a criança, e seguido em direção ao banheiro. No local, a tia disse ter a abordado e flagrado a bebê na bolsa.
"Quando vi ela já estava saindo com a bolsa na frente, com uma roupa completamente diferente, cabelo solto e óculos, mas já dava pra perceber que ela estava com cuidado. Eu puxei a bolsa e vi a neném, bem quietinha", disse Daniela.
Daniela afirmou também que pediu o acionamento da polícia após perceber a situação, mas que, segundo ela, apenas os seguranças da maternidade atuaram naquele momento.
Quarto preparado para receber um bebê
Na casa da técnica de enfermagem, a polícia encontrou um quarto montado para receber um bebê. Segundo o delegado Hugo Alcântara, havia fraldas, roupas, banheira e berço. Os investigadores também afirmam que parentes acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela não tivesse apresentado exames que comprovassem a gestação.
Em depoimento, a técnica de enfermagem preferiu permanecer em silêncio.
Em nota, a defesa informou que Auricélia foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, fazia uso de medicamentos psiquiátricos e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos investigados.
O delegado responsável pelo caso afirmou que, apesar das alegações da defesa, a investigação não trabalha com a hipótese de insanidade mental capaz de afastar a responsabilidade pelos atos.
Para a polícia, Auricélia agiu sozinha.
Fonte: G1.