07/02/2021 às 08h59min - Atualizada em 07/02/2021 às 08h59min

Vacina chega a grupo indígena Karipuna, ameaçado de extinção

Cacique agradece à ciência pela chegada da vacina. São apenas 58 índios reunidos em uma única aldeia em Rondônia, menos de 30 deles são Karipuna.

Gazeta Rondônia

Os Karipuna comemoram. A vacina contra o coronavírus chegou ao pequeno grupo indígena de Rondônia, que vive grave risco de extinção. O grupo recebeu a equipe de vacinação da Secretaria de Saúde Indígena no último dia 29 de janeiro. O cacique André Karipuna agradeceu a Deus e à Ciência pela chegada da vacina ao grupo.

Os índios Karipuna vivem hoje na Terra Indígena Karipuna, homologada em 1998, com 153 mil hectares. Uma terra constantemente alvo de cobiça e invadida por madeireiros e desmatamento dentro dela, a fragilidade do grupo já gerou denúncias na ONU em 2018. São apenas 58 índios reunidos em uma única aldeia (menos de 30 deles são Karipuna, uma vez que há índios de outros grupos casados com Karipuna que moram na mesma aldeia).

Em 2004, eles eram apenas 14, sobreviventes de uma desastrosa história de contatos, que começou com o Ciclo da Borracha, a partir de 1910, e a construção da estrada ferro Madeira-Mamoré.

Havia uma grande preocupação em torno de Katicá, a matriarca do grupo e uma das poucas falantes da língua Karipuna, detentora dos conhecimentos tradicionais do pequeno grupo. A agente de Saúde Indígena, Andressa Karipuna, não só falou da alegria da proteção do grupo, como fez questão de mandar uma mensagem aos outros povos indígenas: “A gente ficou muito feliz de tomar a primeira dose da vacina e vamos tomar a segunda. Quero dizer também para todos os parentes, vamos proteger parentes! Eu e nossa comunidade estamos muito felizes. Parentes, por favor tomar, façam igual a gente”

De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), 42.040 indígenas foram contaminados pela Covid-19. E 555 foram mortos pela doença até sexta-feira (5). Já o Comitê de Emergência indígena* aponta 47.937 indígenas contaminados e 953 mortos até este sábado (6).

 

 


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