Dizem que, no Brasil, a realidade tem uma mania desagradável de não colaborar com a literatura. E, pelo visto, também não colabora com as dissertações de mestrado. O delegado Júlio César, outrora o paladino da Operação Pau Oco e xerife da DRACO II, descobriu que o rigor acadêmico pode ser mais implacável que uma corregedoria em dia de fúria.
O problema do delegado começou quando ele decidiu que a vida, tal como ela é, era insuficiente para o seu título de mestre. Na academia, chama-se isso de "metodologia criativa"; no Código Penal, o nome é outro.
Júlio César ficou famoso por áudios que circulavam com a delicadeza de um elefante em loja de cristais. Em um deles, incitava a tropa a prender o então presidente do Tribunal de Justiça, o saudoso desembargador Walter Waltemberg Júnior — uma ousadia que faria qualquer estudante de Direito do primeiro semestre ter um enfarte. Em outro, o desespero: haviam trocado nomes em uma interceptação. Um diálogo entre empresários, sob a varinha mágica da delegacia, transformou um deles em funcionário público. Foi o suficiente para que o Judiciário, devidamente induzido ao erro, distribuísse prisões como quem distribui panfletos em sinal fechado.
Mas a glória acadêmica exigia mais. Para legitimar a operação, dizem que houve uma certa "simulação" de depoimentos em inquéritos de Buritis, tratando de crimes em Ariquemes. Uma geografia recreativa, por assim dizer.
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O ápice da trama, porém, não está nas algemas, mas na biblioteca da UNIR. Para conquistar o capelo, o delegado-mestrando teria usado fatos de um inquérito engavetado (o 035/2018) e os transplantados, com a coragem de um cirurgião plástico, para o corpo da Operação Pau Oco. No papel, empresas de contabilidade e certificadoras digitais mudavam de endereço e de crime apenas para que a tese fizesse sentido.
Agora, o "xerife" enfrenta o pior dos vilões: o fato real. Se a fraude se confirmar, a universidade levará o título e o Estado levará o dinheiro — aquele adicional por pós-graduação que, em vez de investir no saber, parece ter investido na ficção.
No fim das contas, a Operação Pau Oco faz jus ao nome. Por dentro, parece que não sobrou muita coisa além de um grande vazio ético e uma bibliografia que ninguém quer assinar embaixo.
Pela gravidade dos fatos disponibilizamos cópias dos documentos citados:
INQUÉRITO BURITIS:
https://drive.google.com/file/d/1q-_OeBt_rVe47LUhqFCZjthVPCOx59fG/view?usp=sharing
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE JÚLIO CESAR JUNTO À UNIR:
ttps://drive.google.com/file/d/1AcO08wsZFm84Xoi59UUuX9rRxz7vyDh7/view?usp=sharing
Caso o interessado queira se manifestar poderá entrar em contato por escrito pelo e-mail: [email protected].
Fonte: Hoje Amazônia.