A neurocientista Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desmentiu publicamente o candidato ao Senado Fernando Máximo (PL-RO). Ela negou ter firmado qualquer parceria para implementar tratamentos experimentais em Rondônia e denunciou o uso não autorizado de sua imagem em propaganda político-eleitoral.
A falsa promessa de cura e a polilaminina
A controvérsia surgiu após o parlamentar divulgar em redes sociais e agendas públicas que estaria articulando uma parceria com a pesquisadora. O objetivo anunciado seria trazer a Rondônia protocolos e estudos envolvendo a polilaminina, uma molécula experimental desenvolvida pela cientista e estudada para a recuperação de lesões na medula espinhal.
Em entrevista ao jornalista Fábio Camilo, do site Informa na Hora, a Dra. Tatiana desmentiu a existência de qualquer acordo formal com o parlamentar. Segundo ela, houve apenas uma conversa preliminar sobre a pesquisa, sem que fosse estabelecida qualquer parceria institucional.
"Em nenhum momento eu falei que tinha encontrado cura, em nenhum momento eu falei que tinha demonstração científica", afirmou a pesquisadora.
A ausência de acordo formal e institucional
Questionada sobre declarações atribuídas ao deputado de que ela viria a Rondônia para "curar os paraplégicos", a cientista foi enfática ao rebater a narrativa. Ela explicou que os resultados obtidos até o momento são preliminares e fazem parte de estudos em andamento, longe de qualquer aplicação clínica definitiva ou promessa de cura.
Tatiana reiterou que não concedeu autorização formal para a associação de sua imagem ou de seu trabalho a projetos políticos.
"Eu não dei a ele uma autorização formal para isso", declarou, deixando claro que a apropriação de seu nome ocorreu à revelia de sua vontade.
O alerta contra a instrumentalização da ciência
Durante a mesma entrevista, o jornalista Fábio Camilo criticou abertamente o uso político da pesquisa, afirmando que continuará denunciando eventuais tentativas de exploração eleitoral de avanços científicos. A resposta da Dra. Tatiana reforçou a necessidade de rigor ético no tratamento de temas de saúde pública.
A polilaminina representa uma esperança legítima no campo da neurociência, mas sua transformação em moeda de troca eleitoral distorce o debate público. Quando a ciência é apresentada como um produto de campanha, o risco de gerar falsas expectativas em pacientes paraplégicos e tetraplégicos deixa de ser um dano colateral e passa a ser uma consequência direta da irresponsabilidade política.
O custo político da falsa esperança
A instrumentalização de pesquisas em estágio preliminar para ganho eleitoral imediato cruza uma linha ética perigosa. Não se trata apenas de uma imprecisão retórica, mas da manipulação da esperança de um grupo vulnerável da população.
Quando a ciência é transformada em palanque, quem paga a conta são os pacientes que depositam fé em promessas sem lastro institucional ou validação regulatória. Resta saber se a Justiça Eleitoral avaliará a gravidade do uso indevido de imagem e de promessas de cura em um contexto onde a credibilidade científica não pode ser sacrificada em nome do voto.
Fonte: Painel Político.