26/01/2022 às 18h53min - Atualizada em 26/01/2022 às 18h53min

Após dois meses com bebê morto na barriga, mãe com doença rara dá à luz

Gazeta Rondônia

A nutricionista Thaiana Loena Fraga, de 29 anos, deu à luz as gêmeas Maria Alice e Maria Heloísa, na manhã de terça-feira (25), após manter por mais de dois meses uma das bebês sem vida na barriga por conta da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (SRFF).

Mãe de primeira viagem, Thaiana contou  que preparar o enxoval de duas bebês e ter nos braços apenas uma ainda é muito difícil, mas ela tem buscado forças na pequena Maria Alice, que nasceu com 2.215 kg e 45 cm. 

 

“Fiquei bem apreensiva, nunca tinha passado por um parto, eram duas bebês e eu já sabia que ficaria sem a Maria Heloísa, é impossível esquecer a perda de uma filha. Deus nos presenteou com a Maria Alice e tem a Maria Heloísa como um anjo para nos vigiar”, disse.
 

No sexto mês, o coração de Maria Heloísa parou de bater. Com uma bebê sem vida dentro da barriga e outro viva, a mãe ainda não sabe explicar o que tem sentido nas últimas semanas, mas o amor sempre falou mais alto.

Thaiana descobriu com 27 semanas, no fim de novembro de 2021, a síndrome SRFF. Segundo o diagnóstico, a doença surge quando um dos fetos passa a “doar” sangue para o outro, momento em que o mesmo fica anêmico.

O receptor, por sua vez, recebe muito sangue e tem a produção de líquido amniótico aumentada, sobrecarregando o coração – é o que aconteceu com Maria Heloísa, que era mantida há mais de dois meses sem vida na barriga da mãe.

 

“Eu nunca deixei de me sentir feliz, mesmo com as adversidades, na minha barriga eu sabia que ela era minha, nunca fiquei com receio de passar a mão na barriga ou nojo”, disse.

 

Primeiro contato

 

Mesmo sabendo que a pequena Maria Heloísa nasceu sem vida, o amor de mãe falou mais alto e Thaiana quis conhecer e ficar um tempo com a "pequena guerreira", que esteve durante 35 semanas na barriga da nutricionista.

 

“Fiquei surpresa que a Maria Heloísa nasceu uma bebe formadinha, perfeita. Ela passou por mim, beijei, cheirei, ela foi examinada, fizemos foto com as duas e encaminharam ela para o necrotério”, lamentou.

 

Ainda no hospital, a nutricionista destacou que precisa lidar com as burocracias do enterro para a despedida. “Amanhã devo receber alta e vamos fazer o enterro da minha bebê. A Maria Heloísa será registrada e terá uma despedida especial. Ela vai estar sempre no meu coração e será nosso anjinho!”.

O pai de primeira viagem, Pedro Fraga relatou que assim como está feliz pela chegada da filha Maria Alice, também vive momentos de luto e superação. “Estamos bem na medida do possível, nossas meninas nasceram e nos despedimos da Maria Heloísa. Ainda estamos aprendendo a lidar com esses sentimentos”.

Maria Alice nasceu com 2.215 kg e 45 cm  — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

Maria Alice nasceu com 2.215 kg e 45 cm — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

 

Cirurgia

 

Thaiana sempre soube que a gestação gemelar univitelina, em apenas uma placenta, poderia haver complicações, mas não sabia que poderia ser fatal.

Com isso, a nutricionista precisou ir para Campinas (SP) para realizar uma intervenção cirúrgica e tentar salvar os bebês, o que não foi possível - uma das bebês estava sem batimento cardíaco.

Aos 29 anos, Thaiana descobriu que seria mãe de gêmeas — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

Aos 29 anos, Thaiana descobriu que seria mãe de gêmeas — Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

 

Ajuda a Thaiana

 

Por causa da cirurgia, vários exames e viagem para São Paulo, a família gastou mais de R$ 80 mil no tratamento. Para ajudar nas despesas, criaram uma rifa valendo uma TV de 50 polegadas ao custo de R$ 30,00 o número.

Quem quiser comprar e ajudar, pode entrar em contato pelo número (67) 99231-8098. Fonte: G1


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