29/09/2021 às 07h22min - Atualizada em 29/09/2021 às 07h22min

Isolamento teve efeito nocivo para a saúde mental de crianças e adolescentes, diz psicólogo

Apesar de necessário, os danos foram inevitáveis

Gazeta Rondônia
Para o psicólogo escolar Davi de Jesus Borges Dias, sociedade deve valorizar a escola e os profissionais envolvidos na promoção, não só a escolarização, mas da formação cidadã - crédito de imagens: Reprodução.

Na pandemia, crianças e jovens foram muito afetados pelo isolamento, principalmente pela falta das aulas presenciais. Para prevenção da saúde mental dos filhos, o psicólogo escolar e educacional de Dourados (MS), Davi de Jesus Borges Dias recomenda que “sempre que perceber qualquer mudança de humor sem nenhum motivo aparente nos filhos procure um profissional para investigar o que pode estar acontecendo e iniciar o tratamento, se for necessário”.
 
Segundo Davi, a depressão cada vez mais tem atingido crianças e adolescente.

 

“Os principais cuidados que a família deve ter são: ficar atenta a mudanças drásticas e repentinas no comportamento e humor dos filhos; sempre que possível reconhecer o que os adolescentes fazem em casa e motivá-los positivamente, demonstrando que o que eles fazem é importante; demonstrar afeto, carinho, amor principalmente por meio da presença; e tente não substituir a presença por presentes, pois é muito comum, principalmente por consequência da culpa pela ausência no dia a dia da criança”, orienta. O profissional também alerta para Psicólogo educacional observa que na escola já é possível perceber as consequências do distanciamento: “Apesar de necessário, os danos foram inevitáveis”.

Isolamento teve efeito nocivo para a saúde mental de crianças e adolescentes, sociedade deve valorizar a escola e os profissionais envolvidos na promoção, não só a escolarização, mas da formação cidadã problemas relacionados à ansiedade. “Afeta quase 19 milhões de brasileiros e desses uma boa parte são crianças e jovens. Com a pandemia, há uma piora no quadro e, possivelmente, um aumento considerável de crianças e jovens sofrendo com esse transtorno.
 

Na escola, com o retorno das aulas presenciais, já é possível perceber os danos causados pelo isolamento social durante a pandemia. Apesar de necessário, os danos foram inevitáveis”, analisa o psicólogo. Além da ansiedade e da depressão, Davi chama a atenção para outros transtornos que são recorrentes atualmente, como síndrome do pânico e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

“Pude observar, nesse último ano, surgir um número crescente de adolescentes e jovens com transtorno de despersonalização/desrealização”, também alerta.
 
Conforme o Manual MSD, se trata de um tipo de transtorno dissociativo que consiste em sentimentos recorrentes ou persistentes de distanciamento do próprio corpo ou processos mentais, geralmente com uma sensação de ser um observador externo da própria vida (despersonalização) ou de estar desconectado de um ambiente (desrealização).
 
Para Davi Dias, “adolescentes e jovens em casa e sem poder sair acabam se apropriando das mídias sociais para manter as relações ativas. E, apesar de ser algo interessante, as relações virtuais jamais substituirão as relações físicas. As ausências das relações físicas constantes provocam sentimentos de solidão nesses jovens e consequentemente empurrando-os ainda mais para as mídias e os games, que por consequência retroalimenta o vazio, deteriorando cada vez mais a saúde mental dos jovens e adolescentes”.

A falta das aulas presenciais afetou diretamente o desenvolvimento dos jovens. O psicólogo explica que “a escola acaba cumprindo um papel extremamente importante para esse adolescente, porque é na escola que ele se encontra e se identifica com seu grupo, por afinidade musical, esportiva, religiosa dentre outras, que acaba favorecendo a superação da confusão comum da fase”.
 
O psicólogo educacional esclarece que “os desafios das crianças e adolescentes serão a readaptação ao que chamamos de ‘novo normal’, com muito mais restrições e menos espaços para eles criarem seus grupos de afinidades e amizade na escola. É preciso ficarmos atentos às questões emocionais e psicológicas para intervir sempre que for necessário”. “A formação da identidade acontece na adolescência e esse fenômeno ocorre, principalmente, com ajuda da escola, que promove a pluralidade dos encontros, tornando possível o contato entre os grupos de alunos. Quando questiono os alunos em sala de aula se eles gostam de ir à escola, a resposta é unânime: eles gostam muito de ir à escola, não gostam tanto de estudar, mas estar lá é importante para eles.

Reconhecer o papel social e emocional da escola é importante para que a sociedade possa olhar para esses ambientes e valorizar seus profissionais e todos que estão envolvidos para promover, não só a escolarização (foco ensino aprendizagem), mas, a formação cidadã de cada indivíduo que passa por ela”, conclui o educador. Fonte: Gracindo Ramos – Jornal Dourados Agora.


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