09/04/2022 às 18h54min - Atualizada em 09/04/2022 às 18h54min

Como acelerar o desenvolvimento da região de Cerejeiras? Aqui vai uma breve reflexão e um chamado a agir

O desenvolvimento é fruto de um esforço consciente de um povo. É pensado na cúpula da sociedade, mas desce para toda a base social. Nem todos o planejam, mas todos participam dele. O desafio está lançado

Rildo Costa
Vista aérea de Cerejeiras. O desenvolvimento da cidade e da região se dá de forma planejada e com muito esforço. (Foto: Renato Novais/RN Produções)

Desde os tempos mais remotos da humanidade, o ser humano buscou o desenvolvimento.

Houve um tempo em que se pensou que desenvolver uma nação, por exemplo, seria conquistar as nações ao redor. E aí entrou a era dos grandes impérios. Mas a extensão territorial de um povo não significa, necessariamente, que aquele agrupamento humano seja desenvolvido.

Em outros tempos, o capital passou a ser a bússola pela qual uma família, uma tribo ou uma nação buscava se desenvolver. Temos, por exemplo, a era do feudalismo. No entanto, a simples existência do capital – como terras ou plantas industriais – não vá implicar, necessariamente, em desenvolvimento.

Foi a partir do século 19 que o ser humano, especialmente o mundo ocidental, começou a desvendar a ciência do desenvolvimento. Uma geração de economistas, como Adam Smith, Joseph Schumpeter e John Maynard Keynes, começaram a explicar o desenvolvimento em termos mais claros.

Adam Smith, por exemplo, disse que um povo se desenvolve quando os interesses individuais de cada indivíduo possam ser livremente buscados. O economista deu o exemplo clássico do açougueiro: ele trabalha o dia inteiro não porque ama as pessoas e querem fornecer carne para elas, mas porque quer melhorar de vida. E assim são todos. E se todos puderem fazer isso de forma livremente, ou seja, se todos tiverem a liberdade de buscar seus próprios interesses, então a condição de vida da população em geral há de melhorar.

O economista Joseph Schumpeter foi mais ou menos pelo mesmo caminho da busca do interesse pessoal, mas disse que o desenvolvimento acontece quando a produção industrial de um povo dá saltos. E para isso é preciso uma busca pelo novo, num processo que ele chamou de “inovação disruptiva”. É inovação, porque é novo. E é disruptivo, porque destrói as soluções semelhantes que o antecederam. Por exemplo, a invenção do automóvel foi uma inovação e destruiu a indústria de carruagens. E assim, de criação a destruição, o desenvolvimento acontece. Foi Schumpeter que criou o termo “empreendedor”, por exemplo. Ou seja, o empreendedorismo, que é a busca por empreender algo que não existe, seria o coração do desenvolvimento.

Já John Maynard Keynes foi por um caminho que, em alguns casos, pode ser muito mal compreendido. Ele disse que o desenvolvimento é um processo da sociedade, mas deve contar com a mão dos governos. Quando o processo de progresso de um povo é ameaçado, por exemplo, o governo deve lançar a mão no cofre público e ajudar a sociedade. O “Auxílio Emergencial” do governo federal no período da pandemia, por exemplo, é um exemplo clássico deste modelo de pensamento. A criação de empresas estratégicas, mas que quando são criadas não dão lucros, também é fruto deste pensamento. No Brasil, a Embraer, a Embrapa e até a Petrobrás são empresas que foram cruciais pelo progresso da nação brasileira, mas foram todas criadas pela mão do governo.

Os estudiosos mais modernos entendem que todos os entendimentos anteriores contêm premissas verdadeiras, mas o desenvolvimento humano é, em primeiro lugar, um processo. E, como processo, busca-se mudar o estado atual. E essa busca se dá nas melhorias de condições de vida nos campos dos direitos à liberdade, ao direito político, à livre manifestação cultural e o poder de escolhas individuais. Em outra palavra, uma sociedade desenvolvida é onde você pode ser o que você quiser.

A Organização das Nações Unidas (ONU), numa resolução de 1986, considerou que o desenvolvimento é um direito humano. Ou seja, não é um luxo nem um privilégio. É um direito.

O tema é tão valioso para a ONU que ela tem um órgão interno só para tratar disso. É o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), cujo administrador é considerado o terceiro na escala de hierarquia da ONU: ficando atrás apenas do secretário geral e do vice-secretário geral. Curiosidade: o atual administrador da Pnud é o germano-brasileiro Achim Steiner.

Seja como for os entendimentos do assunto, é um consenso que o desenvolvimento humano é um processo em que se busca alterar a condição atual de uma pessoa, uma família, uma cidade, uma região ou de um povo.

Além disso, todas as formas de se compreender o desenvolvimento vão cair em três pontos convergentes: 1) O desenvolvimento humano deve contemplar especialmente o progresso econômico, embora não seja só isso, mas sem o progresso econômico nenhuma melhoria pode ser chamada de desenvolvimento; 2) O desenvolvimento só ocorre por meio do incremento de conhecimento e tecnologia, sendo resultante natural do progresso cultural de um povo; 3) O desenvolvimento é conscientemente planejado e fruto de um esforço mental das elites locais, mas que contemple toda a população.
 

Todas as formas de se compreender o que é desenvolvimento há divergências, mas uma coisa é convergente: que não tem como se desenvolver sem que isso seja amarrado ao progresso econômico – embora isolado o progresso econômico não seja necessariamente um desenvolvimento. A construção civil, a aquisição de bens de consumo e de produção, o aumento do consumo são réguas que medem o nível de desenvolvimento de um agrupamento humano.

 
Um fato muito importante é que o desenvolvimento não ocorre em uma população com noções éticas muito baixas. Como diz o hino do Rio Grande do Sul, “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”. Ou seja, a falta de virtude cultural, moral e ética de uma população a manterá presa na atual condição de vida, pois o desenvolvimento depende da confiança – e depende que essa credibilidade dure no longo prazo. A falta de ética e de moralidade é um ralo que escoa esse recurso tão necessário ao progresso humano.

Continuando, o desenvolvimento deve ser provocado.

Ele não acontece de forma natural – aliás, existe um tipo desenvolvimento natural, como o crescimento de uma planta, mas a velocidade deste processo será tão lento que o ser humano perderia a fé na possibilidade real de mudar de vida dentro da sua janela de existência.

Quando se fala no desenvolvimento de Cerejeiras, estamos falando de uma busca consciente, individual e coletiva, que devem acontecer nos ambientes empresariais e nas esferas políticas, que precisam estar munidos da vontade de alterar as condições atuais das coisas.

O contrário do desenvolvimento não é a estagnação, mas o atrofiamento. Ou seja, quando se para de crescer, começa a decrescer.

Em outras palavras, o desenvolvimento não é uma inércia, é uma aceleração.

Com uma reflexão profunda sobre o desenvolvimento, que talvez este artigo seja uma fagulha que pode iniciar este processo reflexivo, esperamos que cada um de nós, moradores da região de Cerejeiras, busquemos este direito.

Precisamos nos despir de uma mentalidade de que não somos capazes, de que não é possível, de que não temos condições e caminhos.

O desenvolvimento acontece quando um povo tem um arroubo de coragem, ousadia e empolgação e vá à luta.

Ninguém se desenvolveu apenas olhando apenas para o que já existe. Nenhuma região se desenvolveu sem que antes se sonhasse. Não há relato de que o desenvolvimento de um local tenha sido uma surpresa para o povo daquela localidade, pois era exatamente isso que eles buscavam e tanto trabalhavam.

Uma das maiores catástrofes de um povo não é um terremoto, um vulcão, um tufão ou uma enxurrada. Tampouco é uma guerra ou um conflito interno armado. A maior catástrofe de um povo é quando ele adquire a apatia, ou seja, a incapacidade de reagir, de sonhar, de ousar, de buscar uma vida melhor.

Precisamos de homens e mulheres nas escolas, nos órgãos públicos, nas empresas, que não se contentem com a linha quem alguém traçou para eles. Precisamos de gente que traça uma linha lá na frente e que vá e motive a todos a irem lá para ultrapassá-la.

O desenvolvimento deve ser pensado por esta cúpula de gente pensante da nossa sociedade. E, uma vez pensado, o planejamento estratégico feito por esta cúpula deve descer para toda a sociedade para que cada um execute um papel neste plano maior.

Um provérbio árabe diz que “a vida anda para frente”.

Dito de outra forma, a vida melhora para frente.

O desenvolvimento não está aqui agora. O desenvolvimento está lá na frente, esperando pelo povo que o busque.

A região de Cerejeiras está se desenvolvendo. Parte deste desenvolvimento é inercial, parte é provocado.

Mas agora precisamos fazer com quê este desenvolvimento seja um caso de vida ou morte.

Precisamos de um “Dom Pedro II” que, nas margens de qualquer um desses rios, desembainhe a espada e dê o ultimato: “Desenvolvimento ou morte!”.

Quem ousa levantar esta espada? 



 
 
Rildo Costa

Rildo Costa

Jornalista e Publicitário

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