08/05/2021 às 09h26min - Atualizada em 08/05/2021 às 09h26min

Com investimentos médio de R$ 5 milhões, secadores agrícolas evidenciam progresso da agricultura na região de Cerejeiras

Rildo Costa
Gazeta Rondônia
Secador da Copama é o maior empreendimento deste tipo já construído por uma cooperativa em Rondônia. (Foto: AG Drones)
A região de Cerejeiras está ganhando uma nova estrutura agrícola que é indispensável para o desenvolvimento da agricultura em qualquer lugar do mundo: a construção de silos e secadores.

Para que a produção agrícola entre no mercado, é preciso que a safra inteira seja beneficiada. “O grão sai da lavoura sujo e úmido. É preciso, então, limpá-lo e secá-lo. O mercado não compra grão sem este beneficiamento”, explica o agrônomo cerejeirense Hugo Dan, do Centro de Pesquisa Agropecuária.

Até há pouco tempo, a estrutura de silos e secadores era bastante precária na microrregião de Cerejeiras. Mas esta realidade está mudando nos últimos anos.

O primeiro secador foi montado no município de Cerejeiras por volta de 1995 para beneficiar arroz. Junto com o secador, havia um pequeno silo. Foi construído na época pelo produtor Anilton Ritter, que, posteriormente, foi reconhecido como o primeiro agricultor a plantar soja no Cone Sul de Rondônia – isso já na década de 2000.

Já o primeiro secador para o beneficiamento da soja e do milho só veio surgir mais tarde, em 2005. A empresa Amaggi, empresa mato-grossense, construiu um armazém com capacidade para secagem que começou a beneficiar os grãos produzidos na região de Cerejeiras. Este secador existe até hoje, mas foi ampliado. A estrutura fica na saída para Colorado do Oeste, na BR-435.

Poucos anos depois, a Cargill, uma multinacional americana, também investiu numa estrutura semelhante. O secador da multinacional foi passou a ser o maior a partir de então. A unidade de secagem da Cargill continua em operação, no 3º Eixo, antiga saída para Pimenteiras do Oeste.

De 2019 a 2021, novos secadores começaram a ser construídos por produtores rurais e empresários, com investimentos individuais, e por cooperativas, com investimentos coletivos.

O maior deles, dos construídos recentemente, é o da Copama. A estrutura gigantesca, que seca e armazena soja e milho, foi erguida na BR-435, na altura do quilômetro 11, rumo Corumbiara, no município de Cerejeiras. O secador da cooperativa poderá ter mais investimentos em expansão nos próximos anos. Até agora, o investimento da cooperativa no secador foi de mais de R$ 12 milhões. O secador da Copama é o maior empreendimento de beneficiamento e secagem de grãos já construído por uma cooperativa em Rondônia e, possivelmente, no Norte do Brasil.

Já o empresário e produtor rural Jair de Oliveira Ferro é um dos empreendedores que decidiu investir num secador próprio. Ele deixou a atividade urbana que exercia, na área da contabilidade, e investiu na construção de um secador, cuja foto estampa esta reportagem. O empreendimento, quando ficar pronto, terá capacidade para processar 20 toneladas de soja ou milho por hora e capacidade de armazenamento de 20 mil sacas. A obra fica na BR-435, na altura do quilômetro 7, um pouco antes do secador da Copama.

“Percebi uma necessidade de investir numa estrutura própria de beneficiamento de grão, tanto para atender a mim quando para atender outros produtores da região”, disse Jair Ferro.


 Secador construído por empresário e produtor rural às margens da BR-435. (Foto: Rildo Costa)


O operador Miquéias Ferreira é o que se pode chamar de especialista em secador. Ele trabalhou em grandes estruturas no Mato Grosso e, agora, atendeu a um convite para trabalhar em Cerejeiras, para operar o armazém da Copama.

Numa entrevista a mim, o operador explicou que não é fácil nem barato montar uma estrutura de armazenagem e secagem de grão. “Um secador pequeno com silo pode facilmente representar um investimento de R$ 5 milhões. Além disso, depois de pronto, a obra precisa ser operacionalizada por operadores capacitados”, disse Ferreira.

Para construir um secador, pelo menos três empresas são contratadas. Há a empresa de engenharia para fazer a base, a que vende e monta o armazém e a moega, a que faz as instalações elétricas, além de outros serviços prestados por profissionais autônomos.

Quando operando, um secador também utiliza lenha, especialmente eucalipto e, com isso, movimenta outros secadores do agro, como o plantio de madeira certificada ou o manejo florestal.

Além destes citados nominalmente nesta reportagem, há pelo menos mais três secadores sendo erguidos no município de Cerejeiras. Além disso, há também os pequenos secadores, ou somente armazéns (sem os fornos de secagem), construídos pelos produtores rurais espalhados em toda a área rural pelo interior do Cone Sul.

Quem entende do assunto, garante: uma boa infraestrutura de secadores e silos de grão é o que demonstra que uma agricultura profissionalizada está sendo praticada na região. “A agricultura só sai de fato do papel quando existe secador”, complementa o agrônomo Hugo Dan.

Além de o secador dar condições de comercialização do grão, o silo dá ao poder ao produtor rural – e o mercado é um jogo de poder. Com uma estrutura de armazenagem, o produtor vende a produção na hora que quiser, pode estocar o grão para comercializá-lo a um preço favorável e reduz o custo no beneficiamento de sua safra.

O investimento em secadores agrícolas na região de Cerejeiras é uma demonstração incontestável do progresso deste micropolo produtivo. Sinaliza também uma agricultura profissionalizada, com investimentos em tecnologia e infraestrutura.

Além disso, os secadores de grãos e de cereis trazem sem seu bojo uma gama de oportunidades de investimentos, de negócios e de empreendimentos para aproveitar esta produção que, agora, pode ficar na região de Cerejeiras para esperar a industrialização da produção que agrega valor às commodities agrícolas.

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