26/06/2021 às 17h05min - Atualizada em 26/06/2021 às 17h05min

Empreendendo em áreas inovadoras, profissionais fora da curva fazem a diferença e aproveitam oportunidades na região de Cerejeiras

Profissões que não existiam pouco tempo atrás começaram a surgir, consolidando o desenvolvimento da região. Conheça quem são e saiba as lições que eles passam.

Gazeta Rondônia
Marcia Alves é coach e terapeuta holística. A missão dela é ajudar as pessoas a encontrar seu caminho. (Foto: Rildo Costa)
Uma ideia na cabeça. Nenhum dinheiro no bolso. Muita vontade de cumprir uma missão na vida.

É assim que começou a carreira de uma leva de profissionais empreendedores que estão fazendo a diferença na região de Cerejeiras.

Como se sabe, o profissional autônomo, aquele sem vínculo empregatício, é um empreendedor. Mas é um tipo diferente de empreendedorismo. A diferença está no seguinte: nos demais tipos de negócio, é preciso algum capital econômico para começar. Já o profissional começa com outra natureza de capital: o conhecimento.

O Brasil foi forjado com os empreendedores de profissionais do conhecimento. Desde os tempos da colonização do país, ser médico, advogado ou engenheiro era o sonho de quase todo jovem. Todo pai de família tinha o plano de formar um filho em uma dessas três áreas. Só os ricos conseguiam. Ser um profissional do conhecimento, naquela época, era para poucos.

Com o desenvolvimento da economia brasileira, outros tipos de profissionais do conhecimento foram ocupando o espaço. Contadores, economistas, psicólogos, para citar alguns exemplos.

Agora, na modernidade, surgem também no cenário brasileiro uma nova leva desses profissionais, atendendo a demandas que só surgiram nas últimas décadas. Entram neste cabedal de profissões os técnicos em informática, os nutricionais, os personal trainers e, mais recentemente, os coachs.

A presença destes profissionais em uma economia é sinal de prosperidade econômica de um povo, que fique claro. Somente uma sociedade pujante pode se “dar ao luxo” de procurar serviços que atendam às necessidades humanas menos evidentes, como as carências emocionais ou os distúrbios alimentares, por exemplo.

Visto por este prisma, a sociedade cerejeirense é próspera. Pois já chegou ao município uma linha de profissionais bem-sucedidos que parecem ter saído de uma indústria de alta precisão, que fabricam gente de excelente qualidade para atender gente de altíssima exigência. São profissionais fora da curva, que exercem suas atividades baseadas no conhecimento e que vivem dos resultados reais e práticos que geram.

Um desses exemplos é a coach e terapeuta holística Marcia Alves. Formada em Ciências Contábeis e que já exerceu a profissão de bancária, hoje a profissional é uma referência em Cerejeiras em assuntos que vão do coach à terapia. Marcia atende num consultório no centro da cidade, onde recebe as pessoas que a procuram. Além disso, ela faz palestras, cursos e treinamentos em empresas em Cerejeiras e Vilhena sobre postura profissional, convivência em equipe e atendimento ao cliente. Ela também presta um acompanhamento de orientação vocacional, por assim dizer, para estudantes da Escola Dimensão, a única instituição de ensino privado do município. Nesse trabalho com os alunos, a coach leva os estudantes a fazer uma autoanálise e descobrir seus pontos fortes para, com base na autodescoberta, escolher o caminho que mais lhes fará feliz – e não, necessariamente, o caminho traçado pelos pais.

Nos atendimentos terapêuticos no Instituto Marcia Alves, que é a clínica fundada por ela, a profissional utiliza técnicas alternativas como a PNL, a hipnose e as barras de access para ajudar os pacientes a superar seus medos e a encarar a vida.
 
“Minha missão é ajudar as pessoas a encontrar seu propósito na vida e a liberar todo o seu potencial”, diz. 



Se por um lado a coach e terapeuta Marcia Alves trata dos problemas humanos, o jovem cerejeirense Dieferson Costa é especialista em outra, solucionar as encrencas das máquinas. Para ser mais exato, dos computadores.

Você não observou, nem eu observei, mas a foto do técnico de informativa mostra ao fundo um fio vermelho “solto”, colocado no lugar errado. “Ele deveria estar amarrado junto com os outros”, explicou Dieferson, que por um pouco não embargou a imagem para esta reportagem por causa do fio solto. Este é o nível de observação do profissional, que mostra a profundidade de sua técnica.

Dieferson começou na área em 2001, no interior do estado de São Paulo. Mais tarde, se mudou para Cerejeiras, onde atende empresas e órgãos públicos no município, nas quais ele é o responsável direto pelo funcionamento de computadores que armazenam e processam milhões de bits em dados e informações.
 
“Meu papel nestas empresas é atender as demandas na área de infraestrutura de Tecnologia da Informação, no planejamento, implementação, gerenciamento de provedores e suporte de infraestrutura, garantindo que todos os equipamentos de informática destas empresas estejam atualizados e em pleno funcionamento, assegurando a comunicação eficiente entre todos eles”, diz o técnico.
 
E acrescenta: “Para que falhas não influenciem negativamente na produtividade dos funcionários, que consequentemente podem impactar no faturamento destas empresas, logo essas soluções atualizadas, geralmente, ampliam a velocidade das tarefas e isso gera mais produtividade para o negócio”.


Com o desenvolvimento da região de Cerejeiras, foram também surgindo vários tipos de negócios, tanto urbanos como rurais. Com estes empreendimentos, a força de trabalho se tornou uma das preocupações primordiais dos empregadores. Com legislação clara e rígida que versa sobre o bem-estar, a saúde e a segurança dos trabalhadores, os empresários e produtores rurais passaram a ter uma necessidade que antes não tinham: proporcionar segurança no ambiente de trabalho.

Este é assunto para a jovem Monique Sousa. Por volta de 2010, Monique, que na época morava em Vilhena, fez um curso chamado Métodos e Técnicas de Gestão da Produção (MTGP). No curso, a jovem aprendeu noções de saúde do trabalhador e, a partir daí, começou a descobrir seu dom. Anos mais tarde, ela concluiu o curso Técnico em Segurança do Trabalho. Atuou na área em quase 20 municípios do estado em novembro de 2020 decidiu se mudar para Cerejeiras, segundo ela para ficar mais centralizado no Cone Sul de Rondônia. Atuou três anos como autônoma antes de abrir a empresa. Com a cara e a coragem, abriu seu próprio escritório, a Most Segurança do Trabalho. Hoje, cerca de dez anos depois de se iniciar na área, Monique tem uma carteira de clientes na região de Cerejeiras que vão de fazendas a supermercados.
 
“Não foi fácil. Mas estou aqui, fazendo o que gosto e contribuindo para a segurança no ambiente de trabalho e, com isso, protegendo a vida das pessoas”, diz a jovem profissional, em seu escritório, situado na Avenida São Paulo.
Todos os três profissionais ouvidos pelo autor desta reportagem destacaram que acreditaram na região de Cerejeiras. E todos eles enxergam que a região vai crescer ainda mais – especialmente com a contribuição deles. Marcia Alves acredita que o desenvolvimento humano vai continuar sendo o principal capital que fará a diferença na região. E ela estará aqui para construir para isso. Monique de Souza acredita que os municípios da microrregião estão se desenvolvendo e, cada vez mais, será também um lugar mais seguro para trabalhar. Graças também ao trabalho dela. A região já tem um aparato tecnológico e não pode parar, mas, se parar, o técnico em informática Dieferson Costa está a postos para religar os cabos. Por isso, ele acredita que região está em pleno desenvolvimento, crescendo muito e com isso vão continuar surgindo grandes oportunidades para prestadores de serviços.

O desenvolvimento da região de Cerejeiras tem sido palco da atuação de profissionais fora da curva como estes. E não somente para aqueles tipos de trabalhadores qualificados do tempo do Brasil Colónia, como os médicos, advogados e engenheiros – que continuarão tendo seu mercado na região, evidentemente. Agora, a porta da oportunidade se alarga e abarca profissionais inovadores, que atendem às novas necessidades das pessoas que compõem uma sociedade desenvolvida, sendo que algumas dessas necessidades nem sonhávamos que poderia existir tempos atrás.

E não somente isso. É uma prova de que as oportunidades não são só para quem tem dinheiro para investir, como nos negócios clássicos, como uma loja ou uma indústria. Para aqueles que estão começando a vida, sem dinheiro na carteira, mas que têm um tino para atender às necessidades das pessoas, e que estão dispostas a servir aos outros, então que empreendam como profissionais. Também é um negócio. As portas estão abertas. Para todos. A única exigência é ser fora da curva.
 
 
 
 
 
 
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